Amores Urbanos

Por Alexandre Inagakiquinta-feira, 19 de maio de 2016

Nestes tempos de relacionamentos líquidos, nos quais é possível dispensar um pretendente com a agilidade de um swipe à esquerda num Tinder da vida, talvez a amizade seja a maior constante capaz de solidificar as fluidezas que marcam este cotidiano. Mas não me refiro aos “amigos” de Facebook, esta rede social que banaliza um termo tão significativo aplicando-o a qualquer contato superficial que aceitamos ter em nossos perfis por questões de networking ou mera educação. E, sim, aos amigos que seguram a sua barra nos momentos mais difíceis, sem que sejamos obrigados a dar justificativas para os eventuais tropeções e presepadas que inevitavelmente damos por aí.

Quando vi Amores Urbanos, o surpreendente longa-metragem de estreia de Vera Egito, a sensação que me veio ao acabar de assisti-lo foi esta: que história bem contada, com personagens tão tangíveis, e que bacana ver o retrato emocional de uma geração tendo sido feito de maneira tão viva e palpável, a partir da narrativa das desventuras amorosas e familiares de três amigos (interpretados por Maria Laura Nogueira, Renata Gaspar e Thiago Pethit). E o modo como Amores Urbanos traça suas histórias em pouco mais de 1 hora e meia de duração, conseguindo construir seus personagens de modo a fazer com que sejamos cativados por eles e pela sua história de amizade sem julgamentos (ao melhor estilo “elogie seus amigos publicamente e deixe para dar as broncas nas DMs”), é um dos diversos méritos do filme.

Maria Laura Nogueira, Renata Gaspar e Thiago Pethit, o trio de protagonistas de Amores Urbanos.

O medo de amar e o medo de ser livre

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Apoie o Abraço Cultural, curso de idiomas e cultura ministrado por professores refugiados

Por Alexandre Inagakisegunda-feira, 09 de maio de 2016

Um projeto que, em menos de 1 ano de existência, empregou 40 professores refugiados, já teve 480 alunos inscritos e engajou 70 voluntários: o Abraço Cultural é uma iniciativa que promove a troca de experiências, a geração de renda e a valorização pessoal e cultural de refugiados residentes no Brasil. E que, em paralelo, faz com que seus alunos aprendam novos idiomas, conheçam diferentes culturas e, principalmente, pessoas que precisaram deixar seus países de origem e que têm muitas histórias e conhecimentos para compartilhar.

Em São Paulo, o Abraço Cultural capacitou e empregou refugiados como professores e já está em sua 5ª edição, com turmas de árabe, espanhol, francês e inglês com enfoque em cultura africana, árabe e latino-americana. E, no Rio de Janeiro, os cursos já vão para a 2ª turma. Seus professores são originários de países como Síria, Haiti, Cuba, Congo e Nigéria. A metodologia do Abraço Cultural propõe que os alunos vivenciem aspectos culturais trazidos por esses imigrantes, através de conteúdos que entrelaçam o ensino formal da língua com referências culturais do professor refugiado em questão, e que são aprofundados através da realização de saraus multiculturais promovidos mensalmente.

Imagem de um dos saraus promovidos pelo Abraço Cultural, projeto de ensino de idiomas com professores refugiados de outros países. Continue Lendo

Animal de Estimação

Por Arnaldo Brancosegunda-feira, 02 de maio de 2016

“Quanto mais conheço as pessoas, mais gosto dos animais” – essa frase clichê dos niilistas de facebook podia servir de dístico para Animal de Estimação, de Terêncio Porto. Afinal, seu livro é sobre seres humanos sendo demasiadamente humanos e animais de estimação tendo que conviver com essas criaturas frágeis e contraditórias. Continue Lendo

Top 10 Kid Abelha

Por Alexandre Inagakiterça-feira, 26 de abril de 2016

Foi através de uma nota no Facebook que o Kid Abelha anunciou, oficialmente, o fim de suas atividades como banda. De modo discreto, quase que parafraseando aquele poema de T. S. Eliot que dizia que o mundo expira não com uma explosão, mas com um suspiro. Escrever este post foi a maneira que encontrei de reagir a essa notícia, buscando valorizar o legado de uma banda que, antes de se chamar Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens, correu o risco de ser chamada de Tia Harry e Os Três Porquinhos ou de Morangotango (vide este documentário exibido no Multishow). E de agradecer, é claro, a um grupo que compôs boa parte da trilha sonora da minha juventude.

* * *

TOP 10 KID ABELHA:

10. “Pintura Íntima” (Paula Toller e Leoni, 1983) – O primeiro grande hit do Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens foi um excelente cartão de visitas da banda: um imediato clássico pop que se tornou onipresente nos playlists das FMs no ano de 1983, com versos juvenis tergiversando sobre amor e sexo emoldurados por um arranjo marcado pelo onipresente saxofone de George Israel.

Muita gente desconhece o nome desta canção, que é facilmente encontrada no YouTube sob a alcunha alternativa de “Fazer Amor de Madrugada”. Seu refrão antológico, diga-se de passagem, nunca agradou muito ao autor da letra. Em declaração feita a Ricardo Alexandre para o livro Dias de Luta – O Rock e o Brasil dos Anos 80, Leoni declarou: “Eu pensava num tema como ‘Sexual Healing’, de Marvin Gaye, em que os problemas são resolvidos na cama, dão uma virada no relacionamento do casal“. Sem conseguir encontrar uma rima mais satisfatória para “madrugada”, o refrão acabou terminando mesmo em “amor com jeito de virada”, inspirando inúmeros virunduns como “amor com jeito de pirada” ou “amor com jeito de piada“. Mas pior mesmo foi ver a galera completando os espaços em branco da letra e cantando, em altos brados, versos mais infames ainda:

Fazer amor de madrugada
(Em cima da cama, embaixo da escada)
Amor com jeito de virada
(Primeiro a patroa, depois a empregada)”

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O dia em que Prince tocou Purple Rain em público pela primeira vez

Por Alexandre Inagakiquinta-feira, 21 de abril de 2016

3 de agosto de 1983. Naquele dia, Prince Rogers Nelson subiu ao palco do First Avenue, casa de espetáculos em Minneapolis, a fim de participar de um concerto beneficente para arrecadar fundos para o Teatro de Dança de Minnesota. Aquele show marcou a estreia de Wendy Melvoin como guitarrista da banda The Revolution, mas também entraria para a história por ter sido a primeira vez em que Prince apresentou pela primeira vez ao mundo a canção que se tornou o maior sucesso de sua carreira, fez parte da trilha sonora que lhe rendeu o Oscar de Melhor Trilha Original e foi considerada pelo site Pitchfork a melhor música dos anos 80. Não apenas dos anos 80, complemento: trata-se de uma das melhores de todos os tempos.

Infelizmente não sei quem foi a pessoa que editou o vídeo a seguir, uma jóia que, além de documentar a primeira performance de “Purple Rain”, ainda enriqueceu este registro histórico incluindo diversas observações sobre como ela foi gravada por engenheiros de som que, depois de algumas edições e mixagens, aproveitaram o registro do show imortalizando-a no álbum homônimo que foi lançado em 1984. Você perceberá, por exemplo, que nesta versão que dura 13 minutos há uma estrofe sobre dinheiro que acabou sendo cortada da gravação final. Mas enfim, nada melhor do que apreciar esta raridade.

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Pense Nisso! Alexandre Inagaki

Alexandre Inagaki é jornalista e consultor de comunicação em mídias digitais. É japaraguaio, cínico cênico. torcedor do Guarani Futebol Clube e futuro fundador do Clube dos Procrastinadores Anônimos. Já plantou semente de feijão em algodão, criou um tamagotchi (que acabou morrendo de fome) e mantém este blog. Luta para ser considerado mais do que um rosto bonitinho e não leva a sério pessoas que falam de si mesmas na terceira pessoa.

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