Ontem, quando participei da manifestação em São Paulo que começou no Largo da Batata e se estendeu por diversos pontos da cidade, fiquei emocionado ao ver as ruas tomadas por milhares de manifestantes exercendo sua cidadania. Os protestos, que já se estendem por todo o Brasil, começaram tendo como mote inicial o aumento das passagens de ônibus, mas a repressão absurda cometida pelos PMs na quinta, dia 13 de junho, virou uma cola que uniu pessoas lutando por causas diversas como o combate à PEC 37 (que, diga-se de passagem, deverá ir para votação no dia 26 de junho), o Estatuto do Nascituro, os gastos bilionários com os estádios da Copa, problemas com educação, saúde, segurança pública, e por aí vai. Continue Lendo
A época de profissões como datilógrafo, amolador de facas e técnicos de telex já passou, junto com expressões como “vacinado com agulha de vitrola”, “queimar o filme” ou “caiu a ficha”, que daqui a alguns anos precisarão de notas de rodapé pra serem compreendidas. E o fato é que essas profissões e expressões surgiram em tempos nos quais pessoas assistiam TV sem poder compartilhar suas impressões em tempo real no Twitter, casamentos gays e interraciais eram inimagináveis de se assumir em público, telefones eram aparelhos que só serviam para conversar e a gente precisava esperar meses até conseguir ouvir as novas músicas de uma banda inglesa ou japonesa.
O mundo mudou, a sociedade mudou, as famílias mudaram. O mercado imobiliário, porém, parece ter parado numa época em que home-office era coisa de livro de ficção científica ou eufemismo para a condição de um desempregado. E basta folhear qualquer revista de arquitetura e decoração para encontrar matérias que falam em como reformar sua casa para que ela se torne mais adequada ao seu estilo de vida, ou como aproveitar melhor o espaço de um imóvel minúsculo, com espaços estanques e padronizados. Os empreendimentos imobiliários que são oferecidos pelo mercado podiam satisfazer as necessidades de nossos avós, mas já não respondem aos anseios de uma geração que é empreendedora, expressa suas ideias e pensamentos na internet e não se satisfazem com produtos e soluções padronizadas, incapazes de refletir as diversidades de cada indivíduo.
São mensagens,/ Letras falantes,/ Gritos visuais,/ Ordens de uso, abuso, reincidências./ Costume, hábito, permência,/ Indispensabilidade, /E fazem de mim homem-anúncio itinerante,/ Escravo da matéria anunciada.
Ainda é comum, ao percorrer as ruas de uma cidade, se deparar com jovens que passam horas em pé, seja sob sol, chuva ou frio, trabalhando inclusive em fins de semana e feriados, segurando setas que indicam as direções de empreendimentos imobiliários à venda. Subempregos que trazem à lembrança os versos de “Eu Etiqueta”, poema de Carlos Drummond de Andrade, sobre a “coisificação” de pessoas trabalhando como dublês de postes.
Em nota recente, a MaxHaus anunciou que não usará mais homens-seta ou homens-placa para indicar onde estão seus endereços. Segue um trecho do manifesto: “Francamente, não cabe o discurso do emprego para justificar um trabalho no mínimo desumano, especialmente num país com escassez de mão de obra em setores produtivos. Se isto fizesse sentido, quem sabe caminharíamos para que todas as lâmpadas públicas fossem também portadas por seres humanos. Para as pessoas desta época, existem maneiras muito mais rápidas e inteligentes de se achar um imóvel.”
Nada mais coerente. Na época em que vivemos, a “profissão” de homem-seta há muito tempo já deveria estar fazendo companhia a máquinas de escrever, disquetes, yuppies, enciclopédias impressas, cursos de Wordstar, Lotus 123 e dBase, lambada, cabelos mullet e outros itens, coisas e comportamentos que viraram peças empoeiradas de museu. Afinal, vivemos uma época de mudança de conceitos, rompimento de paredes e de paradigmas, misturas de gêneros e aceitação de diferenças. E temos a grande sorte de sermos testemunhas e protagonistas destes novos tempos.
É uma guerra psíquica. É preciso ter planejamento e estratégia.
1. Não se esqueça de carregar a bateria do seu celular. Se seu aparelho é pré-pago, não vá para o protesto sem colocar créditos.
2. Salve todos os números de telefone de seus amigos e conhecidos que vão ou não para o protesto. Se possível, mantenham a troca de mensagens por SMS ou WhatsApp ou outro meio.
3. Reveze a filmagem de todo o protesto com amigos, para que do começo ao fim haja vídeos documentando-o: cada um filma um trecho, para que os registros alcancem todo o protesto. Quanto mais pessoas filmarem, mais fácil será reconstituir o que aconteceu depois, mostrando erros tanto da polícia como dos manifestantes. Veja estas dicas:
4. Não leve fogos. Não leve rojões. Não leve nada que faça barulho explodindo. Assim, todo barulho desse tipo que ouvirmos virá sempre da polícia.
5. Não vandalize. Não deprede. Não seja violento. Não jogue nada em direção aos policiais. Se vir alguém fazendo isso, repreenda. Se alguém chutou a lixeira e ela caiu no chão, recoloque-a no lugar. Seja pacífico. Continue Lendo
1. Antes de mais nada, devo alertar que mães e dentistas estiveram sempre certos: nunca aceite doces de estranhos. Mas, em se tratando de Candy Crush Saga, esta advertência deve ser reforçada e estendida a todas as pessoas que você conhece, sejam elas desconhecidas, amigas de infância ou parentes de terceiro grau. Caso você ainda tenha conseguido escapar incólume a esta droga virtual, fica aqui o alerta: recuse quaisquer solicitações ligadas ao Candy Crush, porque este jogo irá escravizar seu foco, invadir seus sonhos, liquidar seus momentos de ócio e destroçar sua produtividade de modo devastador.
2. Há momentos nos quais a gente não tem a menor ideia de como deve agir. Tomamos decisões, ainda incertos de qual seria o melhor caminho a seguir. Acontece na vida, acontece no Candy Crush. Nem sempre planejamento e estratégias cuidadosamente elaboradas são suficientes para superarmos as dificuldades que surgem à nossa frente. Às vezes precisamos ter fé, às vezes necessitamos que a doce brisa da sorte sopre a nosso favor. Mas uma combinação de brigadeiro com doce listrado também ajuda.
A vida era mais difícil quando ainda não havia internet para resgatar as coisas que a gente quase não lembrava mais que tinham existido. Por exemplo, o jingle das balas de leite Kid’s, que embalou minha infância numa época em que controle remoto de TV era o dedão esticado do meu pé mudando os botões dos canais. Passei anos sem ouvir o arranjo original daquela canção, embora nunca tenha me esquecido dos seus versos:
Roda, roda, roda baleiro, atenção
Quando o baleiro parar põe a mão
Pegue a bala mais gostosa do planeta
Não deixe que a sorte se intrometa
Bala de leite Kids
A melhor bala que há
Bala de leite Kids
Quando o baleiro parar…
Em entrevista concedida a Leoni, em 1995, para o livro Letra, Música e Outras Conversas (que está fora de catálogo, mas deve ganhar segunda edição em breve), Renato Russo explicou como surgiu a música que acabou se transformando no filme que entrou em cartaz recentemente, protagonizado por Fabrício Boliveira e Ísis Valverde. E revelou também que nutria o sonho de que aquela canção épica, com 9 minutos e 10 segundos de duração, um dia fosse transformada em filme.
Renato: ‘Faroeste Caboclo’ escrevi em duas tardes sem mudar uma vírgula. Foi: ‘Não tinha medo o tal João de Santo Cristo…’ e foi embora.
Leoni: Você não imaginou os personagens antes?
Renato: Não. Eram coisas que mesmo sem querer, sem perceber, já vinha trabalhando há muito tempo e na hora que vai escrever vêm direto. Eu sei porque foi fácil. Ela tem um ritmo muito fácil na língua portuguesa. É em cima da divisão do improviso do repente.
Leoni: O enredo também foi improvisado? Você saiu escrevendo e as ideias foram vindo? Continue Lendo
Sonhei que estava num barzinho no terraço de um prédio parecido com o Copan, no centro paulistano, com amigos entretido num típico papo de boteco. Houve uma hora, porém, em que notei uma movimentação incomum no céu. “Deve ser tempestade”, disse um amigo. Mas não era.
A impressão que dava é de que alguém estava fazendo street art no céu, com grafites no mesmo estilo daqueles feitos por Osgemeos. Só que os desenhos se mexiam, e começaram a tomar a forma de homens montados em cavalos. Quando notamos que aqueles vultos estavam se aproximando, alguém deu um berro de alerta:
Alexandre Inagaki é jornalista e consultor de comunicação em mídias digitais. É japaraguaio, cínico cênico. torcedor do Guarani Futebol Clube e futuro fundador do Clube dos Procrastinadores Anônimos. Jé plantou semente de feijão em algodão, criou um tamagotchi (que acabou morrendo de fome) e mantêm este blog. Luta para ser considerado mais do que um rosto bonitinho e não leva a sério pessoas que falam de si mesmas na terceira pessoa.