Alexandre Inagaki é jornalista, consultor de projetos de comunicação digital, japaraguaio, cínico cênico, poeta bissexto, air drummer, fã de Cortázar, Cabral, Mizoguchi, Gaiman e Hitchcock, torcedor do Guarani Futebol Clube, leonino e futuro fundador do Clube dos Procrastinadores Anônimos, não necessariamente nesta ordem.
Há tempos não uso lápis ou caneta para escrever. Nem os versos que eu costumava cometer nos tempos em que estudava Letras na USP, tampouco listas de compras de supermercado, folhas de cheque, receitas de bolo, manuscritos quaisquer. De tão habituado a só digitar textos, minha caligrafia piora cada vez mais, se equiparando aos garranchos hieroglíficos de médicos apressados. E, na última vez em que fui reconhecer minha firma num cartório, fui obrigado a abrir uma nova porque minha assinatura não batia com a anterior. Males da vida digital.
Tenho guardadas em casa dezenas de folhas de caderno e papéis sulfite com manuscritos da época em que usava canetas para rebobinar fitas cassete e rascunhar versos e contos. Alguns desses textos foram remixados e remasterizados, tornando-se posts e artigos. Outros permanecerão guardados no fundo da gaveta, e só não viram material de reciclagem porque ainda teimo em arquivar certos testemunhos de um passado cada vez mais desfocado.
Mas, assim como arqueólogos volta e meia encontram algum fóssil interessante em escavações, outro dia achei uma pérola inesperada fuçando meus papéis amarfanhados: Continue Lendo
Como todos sabem, homens não são muito providos de inteligência natural. Apaixonados, então, tornam-se mais abobados ainda. Quando Alechandre viu Sessília pela primeira vez, seus olhos foram imediatamente fisgados. Nada como um belo par de pernas, cabelo chanel, mamilos querendo rasgar uma blusa justa e um sorriso sugestivo para ruir toda a racionalidade de um homem. Quando Alechandre encontrou Sessília pela primeira vez na pista de dança daquele barzinho, ele poderia jurar que todas as bocas se calaram, todas as estrelas se apagaram, o mundo todo caminhou na ponta dos pés e todas as rádios interromperam suas programações só para tocar The Killing Moon.
Mas enfim, amar é decretar uma chacina de neurônios. Continue Lendo
Seguem abaixo os meus palpites para a premiação de logo mais.
Filme: O Artista. Apesar de ser uma intrusa produção francesa na festa do cinema americano, O Artista é uma ode ao cinema mudo e em P&B de Hollywood. Alguns analistas não descartam as chances de Histórias Cruzadas (que ganhou o prêmio de Melhor Elenco do sindicato dos atores) ou Os Descendentes receberem o Oscar principal por serem pratas da casa, mas não creio na hipótese dessa patriotada de última hora.
Diretor: Michel Hazanavicius (O Artista). Embora Martin Scorsese tenha maior currículo, realizando um belo trabalho na direção de A Invenção de Hugo Cabret, Hazanavicius ganhou todos os prêmios mais importantes do ano, incluindo o BAFTA e o DGA Award. Os três demais concorrentes, Allen, Malick e Payne, têm tantas chances de vencer o Oscar deste ano quanto Tropa de Elite 2 tem de levar o de Filme Estrangeiro.
Insônia é uma companheira fiel que me acompanha há anos. E uma das lembranças mais remotas de minhas noites acordado remonta da época em que eu assistia aos desfiles do Carnaval do Rio de Janeiro, antes mesmo da criação do Sambódromo, quando todas as principais escolas de samba se apresentavam num dia só. Era uma época na qual canais de TV passavam as madrugadas fora do ar, só exibindo estática e barulhos de chiado (como bem lembrou o Kid em um post sobre sons da nossa infância que não existem mais). O desfile das escolas de samba era, pois, um evento único do ano no qual minha insônia era preenchida por imagens fantásticas de alegorias luxuosas, passistas batucando e mulheres alegremente desinibidas.
Tendo guardado em minhas memórias infantis esses sons e imagens, é fácil de entender meu costume de acompanhar todo ano os desfiles, e de ter me tornado fã de carnavalescos como Joãosinho Trinta, Fernando Pinto, Renato Lage e Paulo Barros, e mestres de bateria como Odilon, Jorjão (criador da paradinha funk) e Ciça.
O Cristo Redentor censurado no desfile da Beija-Flor de Joãosinho Trinta em 1989.Continue Lendo
Por que o Dia dos Namorados é comemorado dia 12 de junho no Brasil, enquanto em países como os Estados Unidos e a maior parte da Europa (incluindo Portugal), o Valentine’s Day é celebrado hoje?
Reza a lenda que 14 de fevereiro foi o dia da morte de São Valentim, bispo que, na época em que o Império Romano era comandado por Cláudio II, celebrava às escondidas casamentos de jovens apaixonados, em tempos nos quais o imperador havia proibido matrimônios por crer que homens solteiros eram melhores guerreiros. Ao ser descoberto, Valentim teria sido preso e condenado à morte. Essa história, que consta na Wikipedia em português, foi no entanto colocada em dúvida pela própria Igreja Católica, que em 1969 deixou de celebrar seu dia pela falta de provas da sua existência (o verbete em inglês da Wikipedia, bem mais completo, narra toda essa controvérsia).
No Brasil, a história é bem mais simples e objetiva. Continue Lendo
Alexandre Inagaki é jornalista e consultor de comunicação em mídias digitais. É japaraguaio, cínico cênico. torcedor do Guarani Futebol Clube e futuro fundador do Clube dos Procrastinadores Anônimos. Já plantou semente de feijão em algodão, criou um tamagotchi (que acabou morrendo de fome) e mantém este blog. Luta para ser considerado mais do que um rosto bonitinho e não leva a sério pessoas que falam de si mesmas na terceira pessoa.