Uma das melhores obras produzidas pelo cinema hollywoodiano nos últimos anos foi Lost in Translation, roteirizado e dirigido por Sofia Coppola em 2003. O filme é protagonizado por um homem e uma mulher que passam alguns dias no Japão, e acabam se encontrando por acaso no hotel em que estão hospedados. Um deles é Bob Harris (Bill Murray), ator cuja carreira está em decadência, e que se encontra no Oriente a fim de gravar um comercial de uísque. A mulher é Charlotte (Scarlett Johansson), uma jovem graduada em Filosofia que acaba parando no Japão para acompanhar o marido, um fútil fotógrafo de celebridades.
Tal qual Mersault, personagem do famoso livro de Albert Camus, Bob e Charlotte são estrangeiros não apenas por causa do deslocamento espacial, mas também por suas próprias vidas: sentem-se desconfortáveis em seus respectivos casamentos, padecem com a falta de perspectivas profissionais e, especialmente, a dificuldade em expressar sentimentos. Após uma noite insone na qual encontram-se no bar do hotel e começam a conversar, os personagens de Bill e Scarlett tornam-se amigos e passam a compartilhar uma série de situações aparentemente banais, como jantar em um restaurante japonês, cantar desafinadamente num karaokê ou simplesmente caminhar pelas ruas infestadas de neons da capital nipônica.
E no entanto, são essas cenas o ponto forte de Lost in Translation, um título perfeito para um filme que, infelizmente, não ganhou traduções à altura (enquanto no Brasil o conhecemos pela alcunha de Encontros e Desencontros, em Portugal o filme ganhou um título mais infeliz ainda: O Amor é um Lugar Estranho). Porque essas seqüências que relatam situações cotidianas apresentam diálogos entremeados por aqueles momentos de silêncio que de quando em quando pairam entre duas pessoas. Você percebe o quanto se sente bem com alguém quando é capaz de permanecer calado sem o incômodo dos silêncios desconfortáveis, e o filme de Sofia Coppola traduz com felicidade esses iluminados instantes. E assim, paulatinamente o espectador de Lost in Translation testemunha a evolução do relacionamento entre duas pessoas que, apesar da distância de idades e interesses, transforma-se em algo além de uma amizade passageira, sem que seja preciso explicitar esse momento por meio de diálogos pueris ou declarações arrebatadas.
Um dos motivos pelos quais este filme ganhou um espaço especial em minha memória cinéfila é o seu belíssimo final: um sussurro entre os personagens de Murray e Johansson, ininteligível aos espectadores, que traduz uma cumplicidade que não pode, nem deve ser compartilhada por terceiros. E que desemboca em uma seqüência ao som de “Just Like Honey”, talvez a melhor dentre todas as canções gravadas por Jesus & Mary Chain. E é também a justificativa deste post. Dois vídeos postados no YouTube supostamente revelam o que Bob Harris sussurou no pé do ouvido de Charlotte. Se conseguiram transcrever com fidelidade as palavras balbuciadas por Bill Murray, cabe a cada um que viu o filme fazer sua própria conclusão. E, hey, se, quatro anos depois, você ainda não assistiu a este filme de Sofia Coppola, lamento pelo spoiler; mas você deveria ter tomado vergonha na cara por não ter visto ainda Encontros e Desencontros…
Ao vivo, o trio formado por Sting, Stewart Copeland e Andy Summers impressiona pela competência técnica e por um entrosamento surpreendente para uma banda que esteve separada por mais de vinte anos. Além disso, são impecavelmente profissionais. Pouco depois dos alto-falantes do estádio tocarem “Get Up, Stand Up”, de Bob Marley, atiçando os mais de 70 mil incautos que muvucaram o Maracanã, o Police entrou no palco às 21:30, exatamente na hora marcada. Sem KY, arregaçaram logo na entrada com a clássica “Message In a Bottle”, botando a galera pra pular alucinadamente feito pipoca na panela. Foi só a partir da segunda música, “Synchonicity II”, que os telões de alta definição espalhados pelo gramado deram o ar de sua graça, fazendo com que a multidão espremida feito shortinho de dançarina de axé (inclusos eu e minha namorada) finalmente pudesse ver os três ingleses saltitando lá no palco. Aliás, “conforto” foi um conceito pra lá de abstrato para quem sentiu in loco a opressão da sociedade na noite de sábado. No meio da muvuca no gramado do Maracanã, senti saudades dos shows dos Rolling Stones no Pacaembu, do R.E.M. no Rock in Rio III e do U2 no Morumbi, porque neles havia espaço pra poder pular e dançar, ao contrário da lata de sardinha humana que foi armada pelos (des)organizadores do show do Police. O festival de patacoadas começou antes do espetáculo. Foi ridículo constatar que havia uma única entrada para todos que compraram ingressos para o gramado. Mas de lascar mesmo foi encontrar os portões fechados: cheguei ao Maracanã às 20:20, e não consegui entender porque naquele momento a (des)organização havia fechado a entrada, enquanto os Paralamas já estavam fazendo o show de abertura. Só depois de vinte minutos, com a multidão devidamente emputecida, é que os portões foram liberados. Resultado: um previsível empurra-empurra geral fomentado a partir de uma providência injustificada. Na boa, se o show fosse de uma banda punk ou metal, o pau teria comido legal na entrada do Maraca por conta de um motivo totalmente esdrúxulo. É preciso ressaltar também uma praga que se alastra em todos os shows que foram trazidos ao Brasil nos últimos tempos: a tal “área VIP” que enfia atores de novelas e apresentadores de TV nos melhores lugares, prejudicando fãs que pagam caro por seus ingressos sem receber a devida contrapartida. É de emputecer a leitura da matéria “Celebridades são show à parte na área vip do The Police”, do Globo Online, que elenca depoimentos de famosos que sequer sabiam o nome de uma mísera música da banda, e foram ao estádio mais para badalar e aparecer nas colunas sociais. Pelamordedeus! Mas enfim, a sina de um roqueiro é penar no purgatório antes de desfrutar das benesses do rock’n'roll. Ainda consegui pegar os estertores finais do show dos Paralamas do Sucesso, que tocaram com a competência habitual, mostrando que é uma das melhores, senão a melhor banda brasileira ao vivo. No intervalo, eu e minha namorada nos ajeitamos em um espaço cavado no meio da multidão, penando com o excesso de calor humano e a sede. Menos mal que não encaramos as quilométricas filas para comprar copos da soporífera cerveja Sol (no balcão de atendimento, havia um único incauto vendendo fichas), caso contrário, além da raiva, perderíamos o lugar onde ainda pudemos vislumbrar uns nacos do distante palco. Quanto ao show em si, ele foi tecnicamente impecável. Copeland, em especial, esmerilhou na bateria, mostrando porque é um dos melhores instrumentistas do mundo. Ótimas versões de sucessos como “Can’t Stand Losing You”, “So Lonely” e “Roxanne” garantiram o deleite dos tiozinhos que aguardaram anos para ver o Police ao vivo. No entanto, a impressão geral que tive é de que o repertório não foi o mais apropriado. Canções pouco conhecidas como “Hole in My Life” e “Truth Hits Everybody” arrefeceram os ânimos da platéia, enquanto um hit como “Wrapped Around Your Finger” foi executado em um arranjo com pinceladas orientais que soariam bem em uma apresentação intimista num barzinho, não em um estádio com mais de 70 mil sardinhas ansiosas por pauleiras catárticas capazes de fazer todos dançarem e esquecerem do resto do mundo. Para Ivan Finotti, faltou tesão. Concordo com ele. O show do Police compensou por conta da competência técnica do trio e pela oportunidade rara de conferir ao vivo músicas maravilhosas como “Every Breath You Take”, mas a apresentação não me convenceu de todo. Foi como uma noite de “meaningless sex”: tudo rolou de modo até satisfatório, ambos gozaram no final, mas ninguém cogitará ligar no dia seguinte para o outro.
Pessoas atravancando as ruas com suas sacolas de compras, cumprimentos de gente que mal se importa com você, ou falando em fraternidade e solidariedade em um único e solitário dia do ano. Gostaria de reencontrar minhas crenças no tal Espírito Natalino, que acabou sendo relegado ao fundo do fundo do fundo do saco de um Papai Noel hipotético no qual jamais acreditei de verdade. Mas é difícil ressuscitar crenças enterradas, ainda mais sendo soterrado por propagandas que incitam ao consumismo estéril.
O fato é que o Natal se tornou uma comemoração desenraizada das suas origens. A maioria das pessoas sabe apenas en passant que a data surgiu por causa do nascimento de Jesus Cristo. E se alguém vier me dizer que esta é uma época em que a bondade brota subitamente dos corações humanos, depois de testemunhar in loco 364 dias de esmolas recusadas e vidros fechados nas esquinas das metrópoles, provavelmente serei obrigado a refrear meu sorriso irônico.
Sinto falta dos tempos em que eu via na TVS (atual SBT) o desenho da Rena do Nariz Vermelho, e via o Natal com olhos mais ingênuos e generosos. E detestaria ver as crianças de hoje perderem essa visão mais esperançosa sobre o mundo e a humanidade.
Quando fui convidado pelo Jacaré Banguela para ajudar na divulgação da campanha Papai Noel dos Correios, fiquei realmente comovido com o projeto. Para quem não sabe a que me refiro, é o seguinte: todos os anos os Correios recebem inúmeras cartas endereçadas a Papai Noel. A proposta desse projeto é a seguinte: você vai até uma agência, “adota” uma dessas cartas e compra o presente pedido pela criança. Depois, é só retornar ao correio, que se responsabilizará pela entrega. Você pode ler as cartinhas disponíveis na agência (importante: nem todas as agências participam desse projeto, clique aqui para informar-se sobre qual é a mais próxima da sua região), a fim de escolher qual presente dará. Ou seja: se seu décimo-terceiro salário já foi pras cucuias, você pode optar por escolher uma carta com um presente menos oneroso.
Na agência em que fui encontrei várias cartas comoventes, de crianças solicitando cadernos e lápis para usá-los como material escolar, ou cestas básicas para ajudar a família. Foi com prazer, pois, que topei o pedido do Fred e do Rodrigo do JB. Só esses caras mesmo pra conseguirem me convencer a exibir meu rostinho japaraguaio.
Fica aqui a minha recomendação: participe dessa campanha. Mas não porque você quer deixar sua consciência mais leve ou acredita que o Natal é uma, hmm, época “mágica”. Penso que adotar uma dessas cartas é como dar um voto de fé na humanidade. Em tempos nos quais é cada vez mais comum ver jovens depredando escolas ou alienando-se do resto do mundo, creio que ajudar uma criança a sonhar, sorrir e acreditar que coisas boas acontecem cotidianamente neste planeta é uma das ações mais importantes que você pode fazer pelo bem do lugar onde você mora.
A seguir, um post dedicado a você que está cansado de dançar na conotação mais negativa da palavra, vendo notícias como a absolvição de Renan no Senado. Esta é uma breve compilação das coreografias mais toscas que já vi na vida, e que farão com que você se anime a buscar seu Fred Astaire (ou Ginger Rogers) interior.
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8. Talvez a melhor cena de Hitch – Conselheiro Amoroso, comédia romântica dirigida por Andy Tennant em 2005, seja a seqüência em que o encalhado gordinho interpretado por Kevin James prova para o personagem de Will Smith que brancos definitivamente não sabem dançar. A performance de Kevin gingando ao som de “Yeah!”, de Usher, descrevendo movimentos como “acendendo a fogueira” ou “fazendo a pizza”, é impagável.
7. Muitos dançam, ou ao menos acham que sabem sacolejar seus corpos. Poucos, contudo, com o jogo de cintura e, principalmente, os dengosos chutinhos no ar dados por Elaine Benes. A dança perpetuada pela personagem de Julia Louis-Dreyfus em Seinfeld foi exibida originalmente no episódio 138 (o quarto da penúltima temporada) da melhor sitcom de todos os tempos, intitulado “The Little Kicks”. Tentar imitar a dança de Elaine Benes em festas é diversão garantida. Ou não.
6. Kate Bush tinha 19 anos quando gravou “Wuthering Heights”, seu primeiro sucesso, inspirado no livro homônimo O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Bronte. Talvez só a tenra idade seja capaz de explicar a empolgação de Kate, que resolveu exibir seus dotes de dançarina no clipe da música, lançada originalmente em 1978, com resultados um tanto quanto duvidosos. O vídeo abaixo possui a participação de Marcos Mion, VJ da MTV, satirizando a performance coreográfica de Bush no finado programa Piores Clipes do Mundo.
5. Um verdadeiro crássico do YouTube é o vídeo de “I Wanna Love You Tender”, da dupla finlandesa Danny & Armi. É difícil saber o que é mais pitoresco neste clipe: a coreografia desajeitada, a música sub-Abba interpretada pelo duo, o vestuário da época ou o sensacional final no qual Danny e Armi despedem-se dos seus colegas de nave espacial (?) a bordo de um carro voador. Este singelo vídeo, realizado em 1978, oculta porém uma triste história: Armi Aavikko, a vocalista da dupla (que chegou a ser eleita Miss Finlândia em 1977) morreu em 2002, vitimada por uma pneumonia originada a partir de problemas com alcoolismo. Ah, o preço cruel da fama…
4. Imagino que você já tenha ido a uma dessas festas de casamento nas quais todo mundo bebe à vontade usando como álibi a “felicidade dos noivos”. E que você já esteve numa daquelas rodinhas nas quais os convidados dirigem-se ao meio do círculo para mostrar seus dotes de dançarinos. Mas eu sinceramente duvido que você já viu alguém dançar com a desenvoltura desajeitada do rapaz do vídeo abaixo, que sacode ao som de “Rock Lobster” dos B-52′s como se tivesse sido possuído por um cabrito esquizofrênico com epilepsia.
3.Namorada de Aluguel, no original Can’t Buy Me Love, é um clássico inolvidável das Sessões da Tarde de toda uma geração. Neste filme de 1987, Patrick Dempsey é Ronald Miller, um colegial nerd que, para se tornar popular no colégio, contrata por mil dólares a aluna mais bonita da escola para que ela finja ser sua namorada por um mês. Na cena abaixo, Ronald, que aprende a dançar através de um documentário sobre costumes na África, comete a infame “Dança de Acasalamento do Tamanduá Africano” no baile da escola.
Em tempo: você também pode conferir a “Dança do Tamanduá” no YouTube em versão dublada, como nos bons tempos da Sessão da Tarde. 2. Tinha que ser coisa de japoneses. A apresentação do trio Purinketsu Purinketsu, vencedor de um concurso de dança “free style” nipônico, é o tipo de bizarrice que a gente só poderia encontrar mesmo na TV japonesa. Confiram a performance dos meus colegas de olhos puxados, com trilha sonora a cargo de Outkast e Christina Millan.
1. Em um dos episódios da versão inglesa de The Office, o ator, diretor e roteirista da série Ricky Gervais, que fazia o papel de David Brent, cunhou uma dança descrita como sendo “a fusão entre Flashdance e MC Hammer”. Bem, digamos que o resultado transgênico dessa união é uma coreografia capaz de fazer John Travolta levantar de sua tumba, apesar do ator não ter morrido ainda. Confira, pois, a sensacional BrentDance, que virou até emoticon de MSN. Uma dança que fará qualquer desajeitado se sentir um Barishnikov.
TV digital com a mesma programação medíocre de sempre? Essa história toda me fez lembrar de um tio que se recusava a usar óculos recorrendo ao seguinte argumento: “Por que desejaria enxergar melhor esse mundo horroroso lá fora?”.
Michel Gondry é conhecido por muitos como o diretor de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, mas o fato é que ele também é o maior diretor de clipes de todos os tempos. O vídeo de “Sugar Water”, do Cibo Matto, uma tour de force composto por dois planos-seqüência sem cortes que se entrecruzam no meio da narrativa, é uma prova bem convincente do que afirmo.
Há uma semana estou fazendo a tal dieta dos carboidratos, que, diga-se de passagem, não recomendo a absolutamente ninguém. Após sete dias sem comer arroz, feijão, batata, pães e massas, eis o saldo: perdi três quilos e a minha alegria de viver.
Ainda sobre o tal regime, outro dia a Aninha me perguntou: “essa dieta não te dá fome?”. Respondi: “Não. Só desgosto”.
Você conhece a obra de José Luiz Benício, artista gráfico que ilustrou os cartazes de 31 filmes dos Trapalhões, diversas pornochanchadas (dentre elas O Bem Dotado – o Homem de Itu, Histórias que Nossas Babás Não Contavam e Os Garotos Virgens de Ipanema) e outros filmes renomados como Dona Flor e Seus Dois Maridos e Independência ou Morte? Se a resposta for negativa, recomendo fortemente que você confira meu texto no Nokia Trends. ;)
Devo um agradecimento a Nelson Moraes. Ou melhor, dois. O primeiro, por ter me indicado um artigo no Overmundo que me inspirou a escrever sobre J.L. Benício, o Norman Rockwell brasileiro. E o segundo, por ter publicado em seu blog “Sax, Flauta e Cavaquinho”, um conto ge-ni-al que integra o livro Blog de Papel, do qual participei com o texto “Bons Amigos”.
Você já conhece o BlogAID, iniciativa de André Luis Suaide que no dia 22 de dezembro irá ao Centro Comunitário e Creche Sinhazinha Meirelles doar alimentos não perecíveis e brinquedos às crianças do local? Se está naquela fase complicada de escolher os presentes de Natal para amigos e parentes, que tal conferir as belas opções do Papel de Pão, blog do fotógrafo Sergio Fonseca? Já viu o Curitibocas, blog do livro que será lançado no dia 7 de dezembro, reunindo personalidades e figuras folclóricas da cidade de Curitiba?
Gostaria de sofrer de uma amnésia controlada, que me fizesse esquecer de certos livros e filmes. Algum artifício prodigioso, que me permitisse assistir a Casablanca sem saber o que vai acontecer no final. Ou ler Cem Anos de Solidão e me deslumbrar da mesma maneira que da primeira vez. Ou gargalhar com uma gag dos Irmãos Marx ou de Woody Allen com prazer sempre renovado. Ou ser surpreendido, punch no estômago, com o assassinato no chuveiro de Psicose, a revelação da identidade de Keyser Soze em Os Suspeitos, o turning point em Um Corpo que Cai. Que me permitisse sentir novamente o orgasmo literário de quando li pela primeira vez O Jogo da Amarelinha de Cortázar, romance que me obrigou a soltar um impropério escandaloso no meio da biblioteca do Bandeirantes: “- Porra, quero escrever que nem esse filho da puta!“.
Qualquer torcedor sofredor (expressão pleonástica) sabe que futebol é uma caixinha de Pandora. Já está, portanto, acostumado a desdobrar cada fibra cardíaca até os 46 minutos do segundo tempo. Está calejado a ouvir as gozações das torcidas adversárias e de amar incondicionalmente o seu time, apesar de nem sempre esse sentimento ser devidamente correspondido. A expressão “amar é sofrer” nunca faz tanto sentido como quando é utilizada no contexto ludopédico.
O Sport Club Corinthians Paulista já amargou 22 anos e oito meses sem um título sequer, de 1954 a 1977. Já foi apelidado, em 1961, de “Faz-Me Rir”, nome de um bolero gravado por Edith Veiga, devido à péssima campanha no Campeonato Paulista daquele ano. Foi o último colocado da Copa União de 1987, quando só não foi rebaixado porque não houve rebaixamento naquele ano, ganhando o apelido de “Ultimão”. Já teve no elenco jogadores do naipe de Embu (mais lembrado pelas constantes homenagens que a Fiel lhe prestou, em coros com rimas óbvias), Baré, Guinei, Dema e Jacenir, sendo que em 1996 seus atacantes foram Alcindo, Alex Rossi, Marcus Alemão, Caju e o sul-africano Mark Williams. Ou seja, quando torcedores corintianos se autodenominam como “maloqueiros e sofredores”, eles afirmam isso com conhecimento de causa. Ainda assim, creio que ninguém estava preparado para o baque da tarde de domingo.
Em um ano no qual o Corinthians apareceu nos noticiários policiais quase tanto quanto nos cadernos de esportes, graças aos escândalos protagonizados por Alberto Dualib, Boris Berezovski, Kia Joorabchian, Nesi Curi e outros craques da maracutaia extracampo, não diria que o rebaixamento para a Segunda Divisão é o mais amargo capítulo de toda a sua história. Outros grandes times do futebol brasileiro como Palmeiras, Grêmio, Atlético Mineiro e Botafogo do Rio já passaram por esse perrengue. Do mesmo modo, grandes equipes do futebol europeu como Atlético de Madri e Juventus foram rebaixadas nos últimos anos e sobreviveram ao calvário da Série B. Nada mais natural: em tempos nos quais os campeonatos são cada vez mais competitivos e as equipes mais niveladas, nenhum torcedor pode imaginar que seu time jamais passará por um rebaixamento.
Eu me solidarizo com o sofrimento vivido pelos corintianos (e também pelos torcedores do Paraná, Juventude e América de Natal) porque sei bem, muito mais do que gostaria, o que é penar por causa de futebol. Em novembro de 2006, escrevi um texto intitulado Masoquista Ludopedico (des)motivado por mais um golpe no coração desferido pelo meu time, o Guarani Futebol Clube. Para aqueles que não ligam para o esporte bretão ou não entendem o porquê de tanta comoção, deixo aqui a famosa frase cunhada por Bill Shankly, ex-treinador do Liverpool, que sintetiza bem a natureza do amor nem sempre correspondido dos torcedores por seus times: “Futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito mais importante que isso”.
A partir desta semana sou o editor de arte, design e outras mumunhas do site Nokia Trends. Escreverei e editarei textos diariamente por lá, sendo que em meu post de estréia falei de capas de livros (também já escrevi sobre os artistas Jim Denevan e Marian Bantjes). Vale a pena lembrar que trata-se de um site colaborativo: qualquer pode enviar textos para o WikiTrends e deixar comentários. Considerem-se, pois, oficialmente convidados a efetuar seus cadastros por lá. Dicas de exposições, novos artistas e sites de design e ilustrações serão muito bem-vindos. ;)
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Tive a honra de escrever o prefácio do primeiro livro que meu amigo Marcos Donizetti lançará na segunda-feira, dia 3 de dezembro, a partir das 17 horas, no Bar Genial, em Sampa City. Eis um trecho do texto que escrevi inspirado pelos contos de Meias Vermelhas e Histórias Inteiras, publicado por Os Viralata:
“Resgatando a definição clássica de Julio Cortázar, que dizia que no combate travado entre um conto e seu leitor o escritor é obrigado a vencer por nocaute, posso dizer que Doni é um boxeur com pleno domínio de seu ofício, capaz de deixar na lona aqueles que o lêem com um vasto repertório de jabs, versos de músicas, cruzados de direita, metáforas pungentes, uppers no queixo, diálogos afiados e diretos de esquerda”.
Todos os leitores deste blog estão convidados a me encontrar por lá e aproveitar para prestigiar também os lançamentos dos livros Incompletos, de Albano Martins Ribeiro (a.k.a.Branco Leone), e Satie Manda lembranças, de João Peçanha.
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Daniela Abade, a criadora (e assassina) do Mundo Perfeito, está de volta à Web capitaneando o primeiro projeto multilíngüe com a chancela InterNey Blogs: Estrangeiros. O projeto reúne sete escritores que manterão diários ficcionais durante um ano, no site, seguindo três regras:
1. O autor não poderá conhecer a cidade sobre a qual está escrevendo;
2. Também não poderá visitar a cidade durante o período em que durar o projeto;
3. O personagem que escrever o diário deverá ter a mesma nacionalidade do autor.
Gostei bastante da maneira como Carlos Gerbase decidiu divulgar seu novo longa-metragem, 3 Efes. O título faz referência à tese defendida por um dos personagens do filme, que afirma que a humanidade possui três grandes apetites: Fome, sexo (sem meias palavras: Foda) e Fasma (farsa, simulacro). 3 Efes, produzido com baixo orçamento (cerca de R$ 100 mil), será lançado simultaneamente em quatro mídias diferentes: nos cinemas, na TV (pelo Canal Brasil), na internet (via portal Terra) e em DVD. O site oficial do filme possui um blog, Nathy e os 3 Efes, atualizado por Nathalia Grün, que ficou encarregada de postar histórias fictícias (ou não) sobre sexo e fome.
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Vocês estão vendo as camisetas logo acima, com finas estampas e os dizeres “Fal set you free”, “A ignorância é um direito de todos… que a maioria faz questão de exercer”, “Eu sou meia boca, mas tenho uns amigos que dão gosto” e “Descobri que é mais fácil trazer a garrafa que levar o copo”? Pois bem, elas são as sensacionais Falmisetas! Estão disponíveis camisetas baby look do tamanho G ao GG e camisetas normais do G ao XGG. O preço é baratim, baratim: R$ 30 cada. Levando mais de uma, cada camiseta sai por R$ 25 (com frete máximo de R$ 15). Não vacile: mande um e-mail para dricamaeda@uol.com.br e adquira logo a sua!
Alexandre Inagaki é jornalista e consultor de comunicação em mídias digitais. É japaraguaio, cínico cênico. torcedor do Guarani Futebol Clube e futuro fundador do Clube dos Procrastinadores Anônimos. Já plantou semente de feijão em algodão, criou um tamagotchi (que acabou morrendo de fome) e mantém este blog. Luta para ser considerado mais do que um rosto bonitinho e não leva a sério pessoas que falam de si mesmas na terceira pessoa.