Artigos do mês de: setembro 2007

Criança tem cada uma…

Por Alexandre Inagakisexta-feira, 28 de setembro de 2007

Sinto inveja da desconcertante criatividade das crianças que, sem cabecismos concretistas ou ambições pseudo-literárias, de repente criam do nada sacadas poéticas como esta: – A cor do céu depende da hora, do tempo e de quem olha. Quem diz que o céu é azul, nem desconfia que, de noite, ele pode ser preto e, quando vai anoitecendo, pode até ser rosa ou vermelho. Quem diz que o céu é azul é analfabeto de céu.

Adultos são o que as crianças se tornam depois que começam a produzir hormônios e a largar sonhos pelo caminho. E é assim que nos tornamos maduros, responsáveis e burrocráticos. Não é de se estranhar, pois, o sucesso da coluna que o dramaturgo e pediatra Pedro Bloch publicava toda semana na revista Manchete, intitulada “Criança Diz Cada Uma”. Nela, Bloch narrava tiradas espontâneas e engraçadíssimas, protagonizadas pelas crianças (de 3 a 11 anos de idade) que passavam pelo seu consultório (como a fala sobre a cor do céu do parágrafo acima).

Bloch compilou seus achados em dezenas de livros, dentre eles o Dicionário do Humor Infantil, meu predileto dentre todos por ter sido valorizado pelas ilustrações de Mariana Massarani, também autora de seis livros para crianças. Pena que o livro está fora de catálogo; tive de perambular por vários lugares até achar um lugar a fim de encontrar um exemplar para minha namorada. ;) Como não sou egoísta, compartilho aqui algumas das melhores definições deste sensacional dicionário:

ADULTO – É uma pessoa que sabe tudo, mas quando não sabe diz logo: “veja na enciclopédia”.

ALEGRIA – É um palhacinho no coração da gente.

AMAR – É pensar no outro, mesmo quando a gente nem tá pensando.

BOCA – É a garagem da língua.

BONITA – “Se eu sou bonita ou inteligente? Se eu sou bonita, você vê na cara. E se eu sou inteligente, nem respondo a uma pergunta boba dessas”.

CABELO – É uma coisa que serve pra gente não ficar careca.

CALCANHAR – É o queixo do pé.

CHOCOLATE – É uma coisa que a gente nunca oferece aos amigos porque eles aceitam.

COBRA – É um bicho que só tem rabo.

CRIANÇA – Ser criança é não estragar a vida.

Flickr de Mariana Massarani.

DEUS – Um dia eu disse que Deus era muito distraído e todo mundo riu. Só não sei a graça que isso tem.

ELÉTRONS – São os micróbios da eletricidade.

ESPERANÇA – É um pedaço da gente que sabe que vai dar certo.

FÉ – É uma menininha, na praia, esvaziando o mar com um baldezinho de plástico furado.

FUTEBOL – É um jogo em que, às vezes, a trave joga melhor que o goleiro. Pega tudo.

FUTURO – É tudo que vem depois e, quando chega, já era.

INFERNO – É um lugar onde a gente morre muito mais.

MENTIRA – (ouve-se o estraçalhar de um vidro no banheiro e o menino grita) – “É mentira do barulho!”

MISTÉRIO – É uma coisa que a gente não sabe explicar direito e, quando explica, já não é.

NAMORADO – É uma pessoa que tem medo do claro.

NEVOEIRO – É poeira do frio.

PACIÊNCIA – É uma coisa que mamãe perde sempre.

PIADA – É uma coisa engraçada que perde a graça quando a pessoa avisa que vai ser.

POLUIÇÃO – É sujeira do progresso.

REDE – É uma porção de buracos amarrados com barbante.

REFLEXO – É quando a água do lago se veste de árvores.

RELÂMPAGO – É um barulho rabiscando o céu.

SAUDADE – É quando uma pessoa que devia estar perto está longe.

SONO – É saudade de dormir.

SORTE – É a gente acordar, se preparar pra ir pra escola e descobrir que é feriado nacional.

STRIP-TEASE – É mulher tirando a roupa toda, na frente de todo mundo, sem ser pra tomar banho.

TRISTEZA – É uma criança com gesso no pé, sem assinatura.

VEIAS – São raízes que aparecem no pescoço das meninas que gritam.

VIDA – A vida de muita gente é só gol contra.

VIDA – A vida a gente não explica. Vive.

XINGAR – Quando eu xingo a minha avó, só xingo a metade que é do meu irmão.

Rapidinhas

Por Alexandre Inagakisexta-feira, 28 de setembro de 2007

A Revista Bula fez uma pesquisa junto a 400 usuários de Web, selecionados entre jornalistas, escritores, publicitários, alunos e professores da UNB, UFG, UEG, UEL, UFMG, UFRJ e USP, em parceria com o Laboratório de Pesquisas de Opinião Pública e de Mercado da UEG/GO. A pergunta realizada: quais são os blogs mais influentes do Brasil? Fiquei honrado em saber que Pensar Enlouquece ficou em primeiro lugar na pesquisa, à frente de blogs das mais díspares tendências políticas (Paulo Henrique Amorim de um lado, Reinaldo Azevedo do outro) ou mantidos por jornalistas como Daniel Piza, Luis Nassif e Ricardo Noblat. Obrigado a todos que se lembraram do Pensar Enlouquece neste levantamento feito pela Revista Bula, e em especial aos leitores que constantemente me motivam a permanecer escrevendo neste blog há mais de cinco anos.

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Ontem vi um jogo histórico: a vitória da seleção feminina de futebol, que massacrou os Estados Unidos, atuais campeões olímpicos, por 4 x 0. Um espetáculo de bola, futebol-arte como não se via há tempos. A prova inconteste do que afirmo? O compacto que exibe flashes da equipe comandada com maestria por Marta. Não me canso, em especial, de rever o segundo gol que a melhor jogadora do mundo fez, mostrando que pés são capazes de traçar obras-primas com uma bola e um talento para desentortar zagueiros que remonta aos grandes momentos de Mestre Garrincha.

O mínimo a fazer é visitar o site da Fifa e eleger a obra-prima de Marta o gol mais bonito da Copa. E torcer por essas garotas na final da Copa do Mundo: domingo, dia 30, às 9 horas da manhã, contra a Alemanha, atual campeã mundial.

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Fal Azevedo, após ter passado pela mais difícil das perdas, voltou a escrever em seu Drops da Fal. A vida, a despeito dos golpes que ela nos dá, segue. E no dia 6, os amigos da mais carismática das blogueiras se reunirão a fim de tentar retribuir um pouco de todos os sorrisos, insights e carinho distribuídos por Fal em seu blog e seus livros. Deixo aqui o convite aberto para quem queira participar do encontro.

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Humor que se preze é sempre do contra. Tem de haver um quê de escárnio, de anarquia, de corrosão, a fim de instigar os pensamentos. Meus amigos da Olaria Mambembe de Humor Grandes Bosta, que recém-inauguraram suas suntuosas instalações na Web, são exímios nessa arte por vezes incompreendida de entortar convenções, provocar sinapses e, last but not least, causar gargalhadas no mais incauto dos espectadores. Bom exemplo do que digo: o vídeo de “Sergei”, esquete musical que integra o espetáculo Coçando o Saccro, em cartaz a partir do dia 29 de setembro no Teatro Folha.

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Um breve talagada de Paulo Leminski para encerrar bem este post.

pra que cara feia?

na vida

ninguém paga meia

O livro infantil mais perturbador dos últimos tempos

Por Alexandre Inagakiquarta-feira, 26 de setembro de 2007

Eu até imagino que esta deva ser uma paródia ao clima de paranóia e xenofobia que tomou conta de parcela considerável da população norte-americana, em especial após os atentados de 11/09. Aliás, quero acreditar que esta seja uma paródia. Porque é indisfarçável a sensação de incômodo que tive após ter encontrado esta animação em Flash supostamente voltada a crianças: “Por Que Os Terroristas Querem Me Ferir?”. Este “livro infantil” também já está no YouTube, disponibilizada dentro de um canal intitulado The Official Johnny Freedom Fan Club. Confiram o vídeo e me ajudem a chegar a alguma conclusão.

O autor desta pérola da pedagogia do medo, l, descreve a si mesmo como um bom cristão nascido em 1966 em Dallas, Texas. Conheceu a sua esposa, Vicky, durante uma convenção nacional do Partido Republicano. Abalado pelos atentados de setembro de 2001, Archibald teria se convencido de que era necessário “proteger” as crianças dos Estados Unidos das ameaças contemporâneas, e começou a criar uma série de livros com a intenção de passar a elas os “bons e velhos valores americanos”. Sua primeira obra, datada de 2003, foi esta: “A Bíblia Diz: Garotos Usam Calças, Garotas Usam Vestidos”.

Outra obra deste cidadão com nome de oficial britânico é esta: “Fronteira Fora da Ordem”. Um trabalho que, se tivesse sido escrito por um francês, certamente teria sido aprovado por Jean-Marie Le Pen.

Até agora não cheguei à conclusão se Archibald Campbell é um doido varrido ou um satirista talentoso. Mas, neste mundo superpovoado por analfabetos funcionais, não posso deixar de pensar que, neste mundo no qual um presidente com cara de modelo da Mad como é George W. Bush foi eleito para exercer dois mandatos graças ao voto popular, há muitas piadas que são levadas a sério até demais.

Rápidas rasteiras

Por Alexandre Inagakiterça-feira, 25 de setembro de 2007

Até o leitor mais desatento deve ter reparado que meu blog estampa, há vários dias, um superbanner e a barra do iG. Pois é, agora todos os sites do InterNey estão devidamente hospedados no portal iG. Edney Souza conta tudo sobre a parceria InterNey/iG em um excelente FAQ. Também conversei com o Guilherme Felitti, que escreveu uma matéria para o IDG Now! sobre a era “Ig-terney Blogs”.

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Sombras no balanço

Deixei este blog ao relento por alguns dias. Em compensação, andei escrevendo sobre PJ Harvey, Interpol e Wander Wildner no blog da Samsung, Twitter e o fotoblog Faces in Places no Update or Die, “Aquarela”, Robert Smith, Meg White e “Take on Me” no Virunduns, além de publicar algumas fotos esporadicamente no Hub. Portanto, se eu andar sumido por aqui, vocês já sabem onde me procurar. ;)

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Mirian Bottan na Rolling Stone

Agradeço as citações feitas ao meu pouco santo nome em vão nas capas elaboradas para divulgar as “campanhas” de Marina Santa Helena, Luiza Gomes e Nathalia Grün para a Playboy, e de Mirian Bottan para a capa da Rolling Stone. Este blog apóia entusiasticamente todas as empreitadas, mas faz a devida ressalva: mantenham os três pés atrás se vocês se depararem com estranhas campanhas tentando pegar carona nestas iniciativas descompromissadamente descontraídas.

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Notícia que encontrei no ALT1040: tanto a carência quanto o excesso de sono duplicam os riscos de morte por enfermidades cardiovasculares. No caso específico deste insone que costuma dormir em média 5 horas por dia, posso dizer: estou lascado. XX(

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Absolut Blogs, série Pensar EnlouqueceIan Black, mestre das marquetadas virais, certamente inspirado em iniciativas criativas e bem-sucedidas de link bait como o Mapa da Blogosfera Brasileira de André Dahmer, o Super Trunfo Blogs da galera do Treta e o Sgt. Bloggers de Jonny Ken, teve uma bela sacada.

Ian é o idealizador da Absolut Blogs, série de garrafas customizadas com os logos de seus blogs prediletos. Seguiu assim o exemplo da famosa marca de vodca sueca, que lançou recentemente duas garrafas com ilustrações feitas pelos artistas plásticos Nelson Leirner e Daniel Senise, produzidas em edição limitada colecionável. Bem, ao menos a Absolut versão Pensar Enlouquece pode ser apreciada sem qualquer moderação. ;D

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Um breve trailer de alguns dos novos blogs que em breve estrearão oficialmente no Interney Blogs mês que vem: confiram os textos “De bola e literatura”, de Marcos Xavier Vicente, “A bola rola na cadência do violão”, de André Pugliesi, “Sombra é coisa pra ser respeitada”, de Simone Iwasso, e “Elogio à Beleza”, de Alex Castro. Se segura, malandro: estamos apenas começando!

Chico Buarque falando de “Futuros Amantes”

Por Alexandre Inagakiquinta-feira, 20 de setembro de 2007

Chico Buarque tornou-se unanimidade nacional, e não é à toa. O cara é bom, muito bom. A ponto de afirmar que, se minha mulher me chifrasse com ele, eu seria capaz de ficar orgulhoso e de alardear para todos os meus amigos: eu fui corneado pelo Chico Buarque! :roll:
Mas, falando sério, embora eu ainda considere que sua obra-prima seja Construção, gravado em 1971, o fato é que ao longo dos anos Chico tem mantido uma invejável forma artística, além de ter publicado ao menos dois belos romances: Estorvo e Budapeste. Porém, o motivo que me levou a publicar este post foi ter encontrado, no excelente blog da Ticcia, um vídeo extraído do especial que o filho do Sérgio Buarque de Holanda gravou para a Band, por ocasião do lançamento de Paratodos, em 1993. Trata-se de uma preciosidade: nele, Chico Buarque explica o gênese da composição de “Futuros Amantes”, mais uma dentre tantas de suas obras-primas.

Tendo a Cidade Maravilhosa ao fundo, Chico devaneia e ilumina seus admiradores com a história de como surgiu a inspiração para a letra de música:

“Eu tava mexendo no violão, começando a fazer a melodia, e a primeira imagem que apareceu foi exatamente esta: uma cidade submersa, isolada de tudo. Porque, cantarolando, parecia que a música queria dizer isso. Eu tinha que ir atrás da explicação dessa cidade submersa. Aí eu coloquei os escafandristas, e surgiu a história de um amor adiado, um amor que fica para sempre. Essa idéia do amor como algo que pode ser aproveitado mais tarde, que não se desperdiça. Passa-se o tempo, passam-se milênios, e aquele amor ficará até debaixo d’água. Um amor que vai ser usado por outras pessoas, um amor que não foi utilizado porque não foi correspondido, e então ele fica ímpar, pairando… Esperando que alguém o apanhe e complete a sua função de amor“.

Uma bela explicação para uma música que dá o consolo definitivo a todos aqueles que um dia sofreram com sentimentos não-correspondidos: “futuros amantes quiçá se amarão, sem saber, com o amor que eu um dia deixei pra você“. Devo confessar que já houve dias em que ouvi esta canção com os olhos tremeluzentes de lágrimas…

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P.S. 1: Leitura complementar ao meu primeiro parágrafo: O orgulho de ser corno, de Tutty Vasques. Comunidade do Orkut ligada a este post: Chico Buarque peida. Quem diria, até ele!
P.S. 2: O Interney Blogs acaba de mudar de servidor. Por isso, não estranhe se esta página demorar mais do que o tempo habitual para carregar, ou se seu comentário tardar para ser publicado. É tudo por uma boa causa. ;)

Quando eu era criança, eu acreditava em…

Por Alexandre Inagakiquarta-feira, 19 de setembro de 2007

Se “tudo que é sólido desmancha no ar”, como diziam Marx (não o Groucho) e Engels, o que dizer da Internet, esta interface efêmera por natureza? Um exemplo: ainda guardo em meu winchester um arquivo com meu bookmark de 1998, gerado pelo Netscape, na época o navegador utilizado por cerca de 70% dos internautas. Hoje em dia quantos o utilizam? E quantos ainda têm o costume de salvar páginas de Web, nestes tempos de Delicious e StumbleUpon?
Por Tutatis, como eu era desleixado.Embora não seja prática recorrente, devo dizer que foi bom ter feito backup de alguns sites que não deixaram nenhum resquício digital de sua existência, nem no cache do Google, nem no Internet Archive. Web é um cemitério sem ossos, implacável com o volátil legado virtual de sites que saiam do ar.
Mas tergiverso, tergiverso. O fato é que fiquei matutando sobre esses assuntos quando encontrei no Jacaré Banguela um post sobre uma promoção do Centro Universitário Belas Artes, intitulada “Sua História Passa por Aqui”, que premiará os melhores moviecards produzidos em cima desse mote com uma viagem para a Espanha, uma câmera digital e um iPod. Pois bem: o tema dessa promoção é, justamente, lembranças. Nestes tempos em que, graças ao YouTube, é possível cavoucar reminiscências até de coisas que a gente sequer recordava que existiam, pensei no encontro entre a tecnologia que digitaliza tudo, e no entanto em um meio no qual tudo, no dia seguinte, pode ficar simplesmente fora do ar.
Eu e meus irmãos encostados no velho Chevette do meu pai.Um bom exemplo: o blog Eu Acreditava, que reunia todas as historinhas engraçadas e inusitadas baseadas em crenças que alimentávamos quando éramos crianças. A página, criada em meados de 2003, teve seu endereço original sumariamente apagado pelo Blogger Brasil. Menos mal que Cássia, a criadora do blog, havia feito um backup de alguns de seus posts em um endereço no UOL. Ainda assim, todos os comentários e boa parte dos textos desapareceram para sempre, em algum lugar no limbo virtual. Algo pra lá de irônico, principalmente porque tratava-se de um blog que compilava lembranças.
Por sorte, nessa época eu ainda tinha o hábito de salvar algumas páginas em meu winchester. Graças a isso, retive alguns posts genuinamente poéticos, enviados pelos leitores do Eu Acreditava. A seguir, alguns belos exemplos que não me deixam mentir.
I used to believe...“Quando eu era pequenininha e devia ter uns 4 aninhos, eu acreditava que a Lua me seguia! Eu saía da casa da minha avó, de noite, e deitava no banco do carro do meu pai virada para o lado no qual pudesse ver a Lua… E o mais engraçado é que eu achava que ela me ‘acompanhava’, porque durante todo o caminho ela estava lá, nos seguindo até em casa… Mas como, se eu a tinha deixado na casa da vovó? E eu achava o máximo porque a Lua sabia meu endereço! Quando chegava em casa, olhava pela janela e agradecia a Ela por ter nos seguido até lá!” (Samantha)
“Quando eu era pequeno, eu acreditava que podia voar. Mas só em situações especiais, como quando meu pai chegava em casa depois de suas longas viagens trabalhando. Era só fechar os olhos, pular e deixar as pernas o mais dobradas possível… e flutuar pelo espaço entre a porta da frente e o colo do meu velho…” (T Boca)
“Juro por Nossa Senhora da Bicicleta que até hoje, com os meus 25 anos de vida, lembro de minha amiga imaginária e do dia em que ela se despediu de mim e foi embora. O nome dela era Sandra. Ela tinha pouco mais de 20cm, usava tranças com uma faixa vermelha na testa, vestido vermelho com flores amarelas e adorava comer casca de pão. Minha mãe diz que eu ficava horas brincando e falando com a Sandra, e que chorei muito quando ela foi embora. O que não faltou foi gente falando que eu via espíritos, duendes ou era um pouco retardada, mesmo tirando ótimas notas na escola. Quando a Xuxa disse que via duendes, pensei: será que a minha Sandra era um?” (Raquel)
Uma turma do barulho aprontando altas confusões!Ao resgatar alguns desses causos de um blog que desapareceu no ciberespaço, resolvi subir algumas de minhas fotos pessoais na hora de fazer o meu vídeo da promoção do Belas Artes (já que a oportunidade de ganhar uma viagem para Málaga ou, no mínimo, um iPod, não é coisa que a gente simplesmente despreza e dispensa), criando um moviecard que reúne imagens vexaminosas do passado que me condena. Clique aqui, pois, se você for xereta o suficiente para conferir alguns dos enésimos micos que cometi diante de câmeras (as fotos que ilustram este post são apenas amostras do meu vídeo). :P Afinal de contas, o passado nunca passa; ele permanece aqui, retido em algum lugar dentro da gente, como rastro vivo de todas as experiências que vivenciamos até chegarmos aqui e agora.

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P.S. 1: Por falar em memória, recomendo a leitura de “Funes, o Memorioso”, história de um homem que, após sofrer uma queda, passou a recordar de absolutamente todos os instantes vividos por ele. Sem o dom do esquecimento, era capaz de lembrar de todas as formas das nuvens austrais do amanhecer de 30 de abril de 1882, por exemplo. Não carecia de escrever qualquer coisa, pois, uma vez que absolutamente tudo era retido em sua memória. Dá para imaginar algo do tipo? Jorge Luis Borges, autor do conto, sim.
P.S. 2: E por falar em Borges, Idelber Avelar está organizando um clube online de leituras do escritor argentino em seu blog.
P.S. 3: E por falar em promoções, você já conhece o blog Promoções na Internet? Parada obrigatória para aqueles que não resistem à tentação de concorrer a algum prêmio. Visto totalmente essa carapuça. :>>
P.S. 4: Parece-me que a Cássia está tentando retomar as atividades do Quando Eu Era Criança, Eu Acreditava neste novo endereço. Por favor: deixem comentários no blog incentivando-a a prosseguir com a idéia!
P.S. 5: Eis o link para o texto que inspirou a Cássia a criar seu blog: “Quando eu era criança…”

Dez filmes de macho

Por Alexandre Inagakisegunda-feira, 17 de setembro de 2007

Com quase dois meses de atraso, cá estou respondendo à convocação feita por Leonardo Luz, da Revista Papo de Homem e do blog Eu e Meu Ego Grande, que criou um dos melhores “memes” dos últimos tempos: Top 10 Filmes pra Macho.
Creio que a quintessência do gênero “filme pra macho”, que pode ser resumida pela chamada-clichê das produções exibidas no Domingo Maior (“é ação do começo ao fim”), está sintetizada em uma cena de Stallone Cobra (1). Que está disponível do YouTube da melhor maneira possível: por meio de uma seqüência digitalizada de uma reprise no SBT, com direito a dublagem mega-ultra-plus-blaster tosca. Sylvester Stallone proferindo um diálogo como “você é um cocô” é algo simplesmente imperdível.

Outro grande momento do cinema-porrada é Dirty Harry (2), que ganhou no Brasil o título de Perseguidor Implacável. Trata-se do primeiro filme protagonizado pelo detetive policial Harry Callahan, interpretado por Clint Eastwood. Um homem que não hesita em torturar e encher suspeitos de balas, que é pra aprenderem a não mexer com o macho errado. Na cena a seguir, Clint cunha um dos diálogos mais famosos do cinema: “You’ve got to ask yourself one question: ‘Do I feel lucky?’ Well, do ya, punk?”

Um dos cartazes de sutileza paquidérmica do cinema brasileiroNão poderia, porém, elaborar uma lista dessas sem citar os filmes que foram fundamentais para a minha formação de japaraguaio safado desde criancinha: as pornochanchadas da Sala Especial, sessão de filmes brasileiros exibida pela TV Record nos anos 80. Vários são os títulos que minha memória me obriga a citar: Os Bons Tempos Voltaram – Vamos Gozar Outra Vez (3), Histórias que Nossas Babás Não Contavam (4), O Bem Dotado, o Homem de Itu (5) e o mais impagável de todos, A Super Fêmea (6). Obra-prima da tosquice, narra a história de uma campanha publicitária para o lançamento de uma pílula anticoncepcional para os homens. Vera Fischer, na época com 18 anos, interpreta a garota-propaganda encarregada de incentivar o uso da pílula masculina com slogans de sutileza paquidérmica como “Não dê moleza ao seu pinto”. Pertence a este filme um dos diálogos mais infames de todos os tempos:
- Você acredita em ETs?
- Eu não. Eles são muito mentirosos!

Carla Camuratti e seu baseado de pentelhosO cinema nacional merece mais duas menções honrosas. Uma, por conta de A Estrela Nua (7), filme protagonizado por Carla Camuratti que possui uma cena digna de menção em qualquer enciclopédia: a seqüência em que a diretora de Carlota Joaquina corta seus pêlos púbicos, faz um baseado com eles e… fuma. Fotos mais reveladoras desta cena antológica estão disponíveis no blog Lobotomia Phase II.
Cartaz de Rio Babilônia, dirigido por Neville D'Almeida.Outro crássico do cinema brasileiro é Rio Babilônia (8). Dirigido por Neville D’Almeida em 1982, é um filme que retrata um Rio de Janeiro em plena época de desbunde e ditadura militar: cenas de “sacanageral”, regadas a muito sol, cocaína e orgias, tornaram este filme um marco inenarrável na adolescência de muitos jovens inebriados pela desfaçatez com que atrizes globais como Christiane Torloni e Denise Dumont exibem seus corpos. Denise, diga-se de passagem, protagoniza ao lado (de frente e de costas também) de Pedrinho Aguinaga e Joel Barcellos o mais polêmico ménage à trois de toda a história do cinema brasileiro, quiçá mundial, dentro de uma piscina. Em entrevista concedida a Christiana Albuquerque, da revista “Quem Acontece”, Neville, ao ser questionado se o ménage na piscina chegou às vias de fato, tergiversa: “A cena é tão boa, tão fantástica, que ninguém consegue esquecer. Fico admirado de que 20 anos depois as pessoas continuem falando dela. A idéia não era consumar. Mas o fotógrafo filmou: a água estava transparente, o Joel estava excitado, as coisas foram acontecendo… Até hoje não sei se rolou ou não. Essa cena é fantástica, uma das maiores seqüências da história do cinema”.
Mas seqüência afrodisíaca mesmo é a estrelada por Rebecca Romijn em Femme Fatale (9), de Brian de Palma. Ao macho que assistir a esta cena e não sentir nenhuma reação advinda do seu corpo, dou o mesmo conselho dado pelo Pelé naquela propaganda de Viagra: “Fale com seu médico. Eu falaria!”.

Para encerrar este Top Ten com chave de ouro, uma obra-prima do cinema mundial: Era Uma Vez no Oeste (10), de Sergio Leoni. Dois dos maiores ícones da macheza em todos os tempos, Charles Bronson e Henry Fonda, disputam os favores amorosos de Claudia Cardinale enquanto protagonizam uma história de vingança no velho oeste. A cena a seguir é do tiroteio final do filme. Pra macho nenhum botar defeito.

Gilberto Knuttz, Fábio Morróida, Carlos Aquino, Daniel Bender e Rafael Slonik também fizeram suas listas. E você aí, vai encarar? B)

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Pense Nisso! Alexandre Inagaki

Alexandre Inagaki é jornalista e consultor de comunicação em mídias digitais. É japaraguaio, cínico cênico. torcedor do Guarani Futebol Clube e futuro fundador do Clube dos Procrastinadores Anônimos. Já plantou semente de feijão em algodão, criou um tamagotchi (que acabou morrendo de fome) e mantém este blog. Luta para ser considerado mais do que um rosto bonitinho e não leva a sério pessoas que falam de si mesmas na terceira pessoa.

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