SpamZine__________________
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14 de setembro de 2003
são paulo  rio de janeiro  goiânia  curitiba  itararé  salvador  joão pessoa
 
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n e s t a  e d i ç ã o:
 
crônica de uma morte anunciada - minicontos do andré - a criogenia de helvécio - arame farpado - reflexo no banheiro - gotas, estalo, tempo - chuvas e chivas - retratos na paulista - como ser medíocre - memória e lixo - no hospital
  
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editorial
alexandre inagaki  [email protected]
   
O Spam Zine esteve ausente de sua caixa postal desde a edição de 12 de maio. O Givago e a Rádio MOL não são mais enviados por e-mail. O último K Zine foi enviado em 20 de junho. Quanto ao Damn Zine, esse não manda sinal de vida desde 28 de julho. O COL e o Tijolão há muito se tornaram apenas um retrato na parede da história dos mailzines. Mas, se você jamais ouviu falar nesses fanzines e acha que estou falando grego, normal. Tudo na Internet se desmancha no ar com uma volatividade digna da fama de um ex-participante de reality show.
 
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Sim, é teimosia inglória. A maior parte dos leitores, aliás, já dava como favas contadas que o Spam Zine havia subido no telhado há meses, acompanhando favoritos da casa como Johnny Cash, Rogério Cardoso, Barry White, Itamar Assumpção, Guido Crepax, Bob Hope, Sérgio Vieira de Mello. Pois bem, faremos isso. Mas não sem antes dar um "that's all, folks" aos mais de 3.500 assinantes que cooptamos desde fevereiro de 2001. É um número respeitável, ok, e prova que ainda há muita gente genuinamente interessada em literatura na Internet. Mas meu ceticismo, Grilo Falante às avessas que pulula em meu cérebro, me replica dizendo que isso não é nada perto dos internautas que insistem em reencaminhar mensagens "edificantes" em Power Point ou recebem aqueles malditos spams que prometem aumentar o tamanho do meu pênis em até sete centímetros (nunca ouvi reclamações, mas acho que estou dando mais informações do que vocês necessitam).
 
O fato é que mailzines já integram o "museu de grandes novidades" cantado por Cazuza em um cada vez mais longinqüo 1989. Como bem escreveu nosso co-editor José Vicente em 27 de janeiro deste ano, "e-zines não têm a menor chance de competir, em inventividade, dinamismo, interesse e criatividade com os blogs". Não que nossa capitulação signifique que não existam mais fanzines bacanas na Internet, é bóbvio, estamos só passando o bastão para outros (confiram nossa página de links).
 
Há dois anos, quando o Spam Zine surgiu, e-zines representavam uma maneira simples, barata e de fácil difusão para a publicação de escritores que não encontravam espaço em editoras e veículos da mídia tradicional. Em 91 edições, o SZ publicou colaborações de mais de uma centena de novos autores, incluindo nomes com livros já publicados, como Ana Maria Gonçalves, André Takeda, Clarah Averbuck, Daniela Abade, Eduardo Fernandes, Indigo Girl, Lau Siqueira e João Paulo Cuenca.
 
Outros certamente ainda encontrarão seu espaço nas livrarias. Sem querer ferir susceptibilidades alheias (sim, blogs são muito melhores que e-zines), tomo a liberdade de destacar o nome de André Machado, devido à sua campanha divulgada em http://andremachado.blogspot.com e http://amachado.blogspot.com. André, autor da excelente série "Minicontos do Desconforto" (que também faz por merecer uma publicação em celulose), procura por uma editora disposta a reunir em livro seus poemas. O Spam Zine assina embaixo, em cima e dos lados dessa campanha.
   
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Mas o ponto final ainda não será dado agora. Caros assinantes, guardem suas velas para daqui a algumas semanas. Enquanto isso, apreciem os textos de André Machado, Nelson Moraes (o homem da praia), Fábio Fernandes (cuida dessa saúde aí, mermão), Erasmo Júnior (agora residindo em Curitiba), Silas Corrêa Leite (o enfant terrible de Itararé), Adriana Terra (mais uma casperiana sofredora), Suzi Hong (exímia retratista de Sumpaulo), Breno Pessoa (o homem dos dedos nervosos), Lau Siqueira (definido por Frederico Barbosa como "poeta integral") e Mauro Tojo ("bixo" desta edição).
 
A propósito, vocês viram a estréia de cumpadi Ricardo Sabbag como colunista do caderno FUN na Gazeta do Povo? Eu sempre disse que esse garoto ia longe...
 
Ah, antes que eu me esqueça: o site do Spam Zine foi recentemente atualizado com a publicação das 91 edições anteriores. De quebra, algumas de nossas edições temáticas (Cinema, Dia dos Namorados, Foda, Auto-Ajuda, Não-Ficção, Muletas Emocionais e Natal) foram ilustradas pelo fotógrafo e webdesigner de mão cheia Henrick Manreza (http://www.criativos.net): vale a pena ver de novo. Em tempo, temos outras 84 edições para serem ilustradas. Alguém aí se habilita?
 
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"E como um deus que não se vence nunca
O seu olhar não consegue perceber
Como uma chuva, uma tristeza podem ser uma beleza
E o frio, uma delicada forma
De calor"
 
(Lobão, "Uma Delicada Forma de Calor". Do imprescindível álbum A Vida é Doce, de 1999).
 
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minicontos do desconforto
 
- 28 -

Negociou a alma com o Canhoto para ser um virtuose em seu instrumento. No dia seguinte quebrou as duas mãos. A operação subseqüente tornou seus dedos estranhamente elásticos, e ele passou a visitar escalas antes inimagináveis com suas falanges mágicas. 

No dia combinado para a entrega, já um maestro consagrado, pediu ao governante do Inferno que escutasse sua última composição antes de descer às profundezas. O Diabo se sentou e, ao ouvir a primeira frase, exclamou: "você esteve conversando com o Espírito! Isso não fazia parte do acordo!"

O maestro não respondeu. Tivera de repente um derrame fulminante. Mas... não havia alma nenhuma a receber. Furioso, o Príncipe das Trevas levantou-se e deu com o Arcanjo Miguel a seu lado. Este acendeu um cigarro e, sem conseguir disfarçar o riso, pôs a mão no ombro do velho anjo caído:

-- Então você não sabia que a principal qualidade de um virtuose é alcançar o Divino antes dos outros homens? O Eterno já se conectou à alma deste no dia seguinte ao seu pacto... 

É por isso que quem desceu aos infernos e conseguiu voltar avisa: o maior problema do lugar é o repertório.
 
- 29 -

O veneno avançou por suas artérias com rapidez impressionante. Tinha tomado o cuidado de trocar de copos quando ela foi ao banheiro, mas se esquecera da comida. Na primeira garfada, ao mirar os olhos da ex-amante, viu que eles sorriam demais. Compreendeu tarde -- pouco antes de perder as faculdades mentais -- que aquilo não era mesmo um jantar de reconciliação.
 
- 30 -
 
Conheceu-a dois dias depois da morte, assim que renasceu. Entendeu que ela agora ia ser sua mãe -- logo ela, que o levara à loucura em apenas três meses.

Por isso, tão logo se entendeu como gente, suicidou-se. E repetiu o gesto nas três encarnações seguintes. Uma para cada mês de desespero. Então o carma lhe pregou uma peça e ela retornou como sua filha. Viu-a crescer indomável, alheia a seus melhores esforços como pai para dar-lhe uma vida perfeita. Ela tornou-se aquela femme fatale invencível aos dezessete anos, e ele compreendeu que, desta vez, era seu sangue forjado em angústia que a envenenava, que lhe dava estranhos calores e apetites.

Ela se foi antes dele, num acidente, e ele chorou amargamente. Mas ficou neste mundo, onde viveu quase cem anos. Em sua cabeceira de morte, ela estava novamente lá: foi a enfermeira que refrescou sua testa pela última vez.

Os dois não mais voltaram depois disso. E os anais do Eterno contam que até Abadon suspirou de alívio ao saber da nova.
      
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criogenia
nelson moraes  [email protected]          
 
Helvécio resolveu criogenizar-se por quinhentos anos mas, antes de ser desacordado, escreveu para si mesmo um bilhete: “Depois que acordar, esperar anoitecer. Olhar pela clarabóia da câmara de criogenia. Lembrar que a luz das estrelas mais próximas leva quinhentos anos para chegar à Terra. Verificar que aí haverá uma confluência do eixo dos tempos, onde eu estarei juntando passado e presente: verei as estrelas que existiram no tempo em que eu vivia. Terei com certeza a alma percorrida por um frêmito de emoção incontrolável.” Quando Helvécio acordou ainda levou muito tempo para dar conta de si, dadas as peculiares condições fisiológicas de quem passa pela experiência. Viu que tinha um bilhete dentro do bolso, abriu e o leu. Esperou anoitecer, olhou a clarabóia e foi percorrido por um frêmito de emoção incontrolável. Ele não sabia que a máquina tinha pifado e ele acordara apenas seis horas depois. Não sabia também que a luz das estrelas mais próximas não leva quinhentos anos para chegar à Terra. E não sabia que frêmito de emoção é lugar comum dos mais abjetos. Mas, ora bolas, tudo na vida é ficção científica e poesia.
 
(texto publicado originalmente em http://blogdebolso.blogspot.com)
   
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r á p i d a s   r a s t e i r a s
 
"Quero outro amante latino. Se Marilyn Monroe tivesse provado um, como, ela nunca cantaria aquela besteira de que os diamantes são os melhores companheiros das mulheres".
(CHRISSIE HYNDE, vocalista e guitarrista dos Pretenders, flagrada em uma rara declaração saliente e caliente.)
  
"O amor não é uma coisa que te preenche totalmente. Isso se chama pica. Amor é outra coisa".
(EDSON ARAN, escritor e responsável pelo http://www.sitedoaran.com.br, o melhor site de humor de todos os tempos da última semana.)
  
"Ele nunca matou ninguém. Mandava pessoas tirar férias no exílio".
(SILVIO BERLUSCONI, primeiro-ministro italiano, emitindo sua opinião sobre o ditador fascista Benito Mussolini. Bem, o que dizer dessa figura que em outra ocasião afirmou que tinha pouco cabelo porque seu cérebro era tão grande que o empurrava para fora? Pelo visto, os neurônios caíram junto com suas madeixas.)
 
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buraco negro
fábio fernandes  [email protected]
  
O que era mesmo que você tinha que fazer no banheiro?

Os olhos percorrem o armário escancarado atrás do espelho. Então você vê a caixinha de Tranxilene e lembra.

Engole o comprimido em seco.

O pior não é a perda de memória, você pensa. O pior é você não esquecer que está começando a esquecer as coisas. A consciência da perda é o que mais incomoda. Mas os médicos já desenganaram você: não tem jeito, esse tipo de doença degenerativa funciona assim. Chega um ponto em que a única lembrança será a de que você não tem mais lembranças. E você já está tão anestesiado pelos remédios que não consegue mais ficar triste com isso.

Mas o que era mesmo que você tinha que fazer no banheiro?

Você vê a caixinha de Tranxilene e lembra. Engole o comprimido em seco.
 
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arame farpado
erasmo júnior  [email protected]
  
You shut your mouth, how can you say
I go about things the wrong way ?
I am Human and I need to be loved
Just like everybody else does

--How soon is now, The Smiths
   
A senhora está se sentindo bem? Está se sentindo bem?

Ai meu Deus, ai meu Deus.

Quer vomitar mais?

Não, chega. Eu bebi muito, moço. Estou vendo tudo torto.

Quer que chame um médico? Se quiser, eu ligo lá do balcão.

Não precisa. Eu só quero uma água mineral e a conta.

Tudo bem.

Senta aí um pouco, eu tenho que desabafar.

?

Senta aí, por favor. Conversa comigo.

Eu sou só o garçom. Estou de serviço.

Só acontece coisa ruim comigo, meu Deus do céu. Mas vai dar tudo certo, eu sei que dessa vez vai.

Vai dar sim.

Eu acabo de vir do hospital, eu sou enfermeira. Não sei por onde começar, senta.

Não posso, não posso.

Se quiser sentar, senta, não tem ninguém aqui, não vão te chamar para atender, eu sei que o movimento tá parado, por isso entrei aqui para encher a cara e deu nisso... Ai meu Deus, eu quero morrer mas é tanta coisa, tanta coisa que não dá tempo, bastou aparecer aquela pin-up e mudou minha vida toda.

Pin-up?

É, ela chegou no hospital que eu trabalho, que atende presidiário e gente enrolada com a polícia, tinha entrado embaixo de uma carreta com o namorado, fugindo de uma viatura com uma mala cheia de pedra de crack e três defuntos dentro de sacos plásticos no porta-mala. Ela e o rapaz se esfolaram inteiros, principalmente ela que ferrou com as pernas porque ficou presa na lataria e foi parar na enfermaria que eu tomava conta. Estava aplicando uma injeção nela quando me contou do acidente e que seu namorado estava na delegacia aguardando a audiência que decidia se ia para um manicômio judiciário ou se ia para o xadrez mesmo, o cara era meio doido, ela chamava ele de porralouca, disse que alucinava com tudo que é de química que tem por aí, credo. Me arrepia só de lembrar, olha só meu braço. E daí ela passou uma semana me infernizando quando eu passava lá no seu leito para que fosse visitá-lo, levar um bilhete para ele na cadeia, esperando a lei funcionar. Ela era tão bonitinha, tinha um cabelo lindo, enorme e escorrido, que dividia no meio e fazia uma trança de cada lado, bem magrinha, e estava com as pernas cheias de ferro, toda esfolada, teve fratura exposta, perda de musculatura, nunca mais ia andar direito, só com muleta e prótese, num tinha fisioterapia no mundo que desse jeito, já vi muito caso assim até pior, com homem feito e ela era só uma menina que quando saísse de lá ia para reformatório de menores. E ficou me amolando para levar o bilhete, que o amava, que queria saber como ele estava, daí eu fiquei com dó, puxa vida, se fosse comigo eu também ficaria desesperada e ela era uma boa pessoa apesar de ser desajustada e fui lá na delegacia levar.

Sei.

Daí toda semana ela começou a pedir para eu levar para ele um bilhete e eu ia, depois começou a pedir para eu passar lá mais de uma vez por semana e eu continuava indo. Depois de bem uns dois meses com ela aleijada na enfermaria, transferiram o rapaz para um manicômio dizendo que ele era um psicopata, sociopata e mais um monte de termos psiquiátricos, e ela achou melhor do que se ele fosse para o xilindró mesmo, porque pelo menos corria menos risco de se lascar, mas a barra em hospício não é menos carregada não que eu sei, fui trabalhar lá também depois de um tempo. E ela sempre mandava bilhetinho para ele, falando de amor, que iam fugir juntos, que ela estava se esforçando para melhorar das pernas e que ia ficar com um monte de pino de metal mas que ficariam
juntos até o fim, e a besta aqui de cúmplice, eu sou idiota, idiota. Minha mãe vivia dizendo que eu era besta e amolecia por qualquer coisa e que eu falo demais também, que devia fechar a boca mas é mentira, eu só converso o necessário, abertamente como eu estou fazendo aqui agora com o senhor, moço. E teve um dia, um bom tempo depois dele ter ido para o hospício, que eu fui levar os remédios dela e ela estava chorando, gritou comigo, virou a bandeja na minha cara e me chutou com aqueles ferros, me chamando de piranha, mentirosa, você é uma vaca safada, desse jeito, vieram me dizer hoje que ele tentou fugir semana passada, levou tiro e está na CTI dessa porra desse hospital, que história é essa, eu disse fica calma, deixa eu te contar, fica calma, e ela se deitou chorando, ficava o tempo todo vestida com aqueles shortinhos que deixam a polpa da bunda de fora, pouco acima dos ferros das pernas, e com uma camiseta regata minúscula com a capa de um disco dos Beatles, acho que é Sgt. Peppers alguma coisa, que nem uma pin-up, por isso que eu chamo ela de pin-up, parecia uma.
 
Certo.
 
Quando ela tomou o remédio e parou de soluçar, abri logo o jogo e disse desde que fui aquele dia na delegacia estou apaixonada pelo teu namorado, perdidamente apaixonada, isso só aconteceu comigo uma vez, mas faz tempo e ele me deixou e num sinto mais nada por aquele safado, eu amo teu namorado, falei na cara dela, que arregalou os olhos e ficou calada, com uma olheiras de anemia horrorosa. Aqueles teus bilhetinhos tão tudo guardado lá em casa, não entreguei nem um, nem o primeiro, pois fiquei gamada logo de cara e mudei os planos. Ele nem queria conversa, mas depois de me ver umas cinco vezes, começou a mudar de idéia e eu deixei ele pegar nos meus peitos e não resistiu, falei para ele se fazer de doido que ia para o manicômio e eu dava um jeito de ir trabalhar lá, também. Ela continuou calada, parada feito morta, se tivesse de olho fechado eu ia jurar que tinha morrido, Deus me livre. Continuei, foi difícil conseguir transferência para o hospício mas eu dei um jeito, sou capaz de tudo, de tudo, assim que ele foi para lá, eu já estava trabalhando nas enfermarias, limpando cocô de doido e dando papa para velho gagá, eu odiava esse serviço mas faria aquilo só por causa dele. Quando veio, ficou no quarto com mais sete e era o único que tinha sanidade, ele não era nem doido nem psicopata coisa nenhuma, só era meio esquentado, e sempre que eu ia lá no quarto dele a gente se tocava e às vezes a noite quando eu conseguia trocar o plantão a gente fodia a noite toda, no escuro no meio dos doidos. Ela começou a fechar a cara e a encher os olhos de lágrimas, quase fiquei com dó porque ela era uma lascada aleijada, puxa vida. Ia andar de muleta o resto da vida, se arrastando com aquelas próteses medonhas de plástico, com ferro furando a perna torta e desmantelada. E depois, desgraçada, ela gritava, e essa estória de que ele fugiu, me fala, vai falando, eu olhei para a cara dela, bem no olho, falo na cara mesmo, ele não queria esquecer de você e disse para mim uma noite depois da gente transar que ia tentar fugir para ter notícias suas, que estava estranhando, mas também falou que estava gostando de mim mas que tinha que se resolver com você primeiro. Fiquei desconfiada e comecei a aplicar amplictil nele, segurei na cama assim por umas duas semanas, mesmo que estivesse dopado, mas pelo menos num fugia ou fazia besteira. Quando parei de aplicar, ele brigou comigo, me xingou de sacana escrota, e disse que ia fugir aquela noite e que nunca mais queria ver minha cara, chorei o resto do dia e quando ele foi fugir, se preparando para pular o muro com arame farpado, chamei os guardas, desceram bala nele, enquanto eu gritava, pelo amor de Deus, num pode morrer se não eu vou junto, nossa Senhora.

E aí?

E aí que levou quatro tiros de trinta e oito, dois nas costas, um no pescoço e outro na barriga, mas era macho mesmo, não morreu não. Foi para o hospital onde ela estava, quase batendo as botas, fizeram uma laparotomia, nefrectomia e colostomia nele, foi para a CTI em estado crítico, mas Deus é forte que eu sei, vai sair daquela.

Não entendi nada do que a senhora disse.

Como não entendeu? Ah, laparotomia é uma cirurgia que abre a barriga da gente, um corte que vai de abaixo do esterno até a virilha, para ver o estrago e reparar, tinha alça de intestino perfurada, fígado rompido, coágulos, ia fazer abscesso e infecção. Nefrectomia é que ele perdeu o rim direito por causa dos tiros nas costas e a colostomia foi por causa das balas também, abriram o intestino dele direto com a parede do abdome, daí ele fica fazendo cocô por uma bolsa de plástico pregada de lado. Sofrendo muito, mas ele é forte. Quando falei para ela do estado dele, se levantou, pulou em cima de mim com ferro e tudo, precisou meio mundo de gente para tirá-la, doparam e queriam saber o que tinha acontecido mas eu enrolei. Olha só meus braços, estão tudo lanhados daquela vaca.
 
Nossa...
 
Quando foi hoje, eu peguei a arma que tenho em casa, que era do meu pai, e levei carregada para o hospital, ia descarregar na cabeça dela, que se danasse o resto todo, eu só quero saber dele. Mulher apaixonada é meio doida mesmo, eu tinha uma vida normal e ele apareceu, mudou tudo. Cheguei lá, mas ela já estava fora dos efeitos do medicamento, falando nada com nada, parecendo uma doida e fiquei com pena de atirar, apesar de ter puxado a arma e colado o cano na testa dela. Quando vi, a piranha tomou a arma de mim, tomou a arma de mim na moral, rápida feito cobra, deu uma coronhada na minha nuca e eu apaguei.
 
Meu Deus do céu.
 
Estou com o galo doendo até agora. Quando acordei, com as meninas do posto me abanando, disseram que os guardas derrubaram ela lá no corredor mesmo, quando se arrastava com os ferros na perna e a muleta para chegar na CTI. Deu uns tiros para cima, num chegou a ferir ninguém, mas levou umas bolachas na cara para deixar de ser besta, além de terem arrancado sem querer uma das próteses porque num parava de espernear. Levou injeção também, foi transferida na hora para o reformatório, mas talvez tenha que cortar as duas pernas dela por causa das pancadas, se bem que eu acho que é para ela num fugir. Fui olhar meu amor na CTI, coitadinho, tem que ficar dormindo o tempo todo se não fica gritando e chorando inconformado, mas eu entendo, é uma situação difícil e vamos sair dessa juntos. Arrumei serviço no setor para cuidar dele, e quando me vê fica desesperado, cospe em mim, mas eu sei que me ama e que cedo ou tarde vai entender isso, cedo ou tarde vai entender isso, não é possível.
 
Ainda quer a água e a conta?
 
Traga que eu vou dar uma volta por aí.
   
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quase tankas e hai-kais
silas corrêa leite 
[email protected]

Ostra (Fragmento)
 

o que a Ostra diz
ao ser pérola
é a jóia que a dor
íntima faz dela

Cãs
  
as geadas nas manhãs
enchem de cãs
os outeiros com avelãs
 
Coroamento
 
em cima do pinheiro
a aurora pôs uma coroa
de amarelo inteiro
  
Porque Hoje é Sábado
(Ao Djavan)
  
Chuvas
Chester
Chivas

Estância Boêmia de Itararé (Poemeto Chulo)
Ao Biribas Blues Bar
   
Quando eu bebo
Todo mundo bebe
Até cair no capacho

Mas quando eu regurgito
E em alto e bom tom vomito
Sai de baixo!

Perolágrimas
  

Poesias são
Lágrimas
Em sânscrito
 
Repetente Oficial
  
O Secretário Estadual de Educação
Apesar da lábia de bom moço
Não tem práxis-lastro-lavra-lição
Sequer pras Aulas de Reforço

Tenra Infância
   
Trocadilhando, coitado
Operou da fimose
E ficou depauperado
   
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expectativa
adriana terra  [email protected]
 
Já era mais de meia-noite, mas o sono não batera. Até batera, na verdade, mas não mais forte do que a voz de sua criança perguntando pelo pai. Estridente, impecável, certeira como a faca que corta o pão todas as manhãs.

Pela fresta da janela, podia se perder na escuridão daquele noite chuvosa. Entre raios, relâmpagos, água, brilhava amarelada - cor de tristeza - a luz da vela acesa.

Rezava todas as noites porque constava que era preciso, e isso era suficiente. Aquela noite, a vela era pra São Francisco, o santo do dia. Sentada no banquinho, esfregava as mãos - arrepio frio - e se impacientava em terrível paciência de esposa. Pensava em maçãs do amor, crocodilos do tamanho de uma boneca, serras elétricas para a carne. Pensava em coisas que não existiam e assim se aquietava, e as preocupações eram menores.

Aprendia a viver do seu modo. Ouvia o compasso marcado das batidas do antigo relógio da sala, e estes por vezes se confundiam com o ritmo pesado e tranqüilo daquele que relutava sob seu vestido. Coração. Passava da uma. Continuava o resguardo em seu imenso silêncio interno, até poder sentir o segundo, implacável, caminhando pelo velho solado.

O menino, que esperava ao seu lado, agora era só um corpinho que sonhava coisas distantes. Levou-o a cama e o cobriu - na madrugada faria ainda mais frio. Voltou a sala. Outro olhar perdido mais a chuva, que caía inofensiva e pequenina lá fora. Sentou-se e novamente foi às horas.
 
Gotas, estalos, tempo. Em poucos minutos, dormia um sono lento.
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retratos
suzi hong  [email protected]
 
- I -
 
Começo de tarde em São Paulo. Parada, à espera do metrô atrás da faixa amarela de segurança, olho distraída para as pessoas que me rodeiam.
 
Chama-me atenção um adolescente, trajando calças largas, jaqueta jeans surrada, ostentando um piercing na sobrancelha de sua cabeça raspada. Ele anda de cá pra lá, impaciente à espera pelo próximo metrô, segurando uma rosa, um único botão, com todo o cuidado do mundo, como se tal rosa pudesse desfalecer ao menor toque. Fiquei imaginando quem seria a pessoa merecedora de tal rosa, carregada com tanto zelo pelo jovem rapaz.
 
- II -
 
Tarde fria em São Paulo. Os termômetros marcam 14 graus. Saio do metrô e tento apertar o passo rumo a um velho prédio no centro de São Paulo, situado na Rua Benjamin Constant. Ocorre-me um pensamento: quem foi Benjamin Constant?
 
Cruzando a Praça da Sé, diminuo o passo e paro em frente à velha Catedral. Nas escadarias, pessoas sobem e descem, cada uma carregando sua fé, sua dor, seu grito por socorro divino, estampados no olhar distante e nas mãos já cansadas de fazer o sinal da cruz. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, amém ao Deus distante, porém tão real.
 
- III -
 
Caminho mais um pouco pela Praça tomada de camelôs vendendo despertadores que apitam estridentes, pessoas apressadas e policiais armados. Avisto uma pequena multidão ao redor de um homem que grita, movimenta efusivamente os braços e se move com grande desenvoltura, como se estivesse num grande palco de teatro.
 
Alega este homem que com o poder da mente, fará com que um toco de braço (isso mesmo, um toco que começa no cotovelo e se estende até a mão) caminhe em sua direção. O toco não parece ser verdadeiro, talvez seja um pedaço de um manequim, destes que vestem roupas e ficam expostos nas vitrines. De qualquer forma não espero o tal toco se mexer. Vou embora, com medo do Exu baixar no homem que grita cada vez mais alto: "venha, eu rogo, venha".
 
- IV -
 
Problemas resolvidos, volto a tomar o metrô rumo a Av. Paulista. Sentada, ao meu lado, uma mocinha de rosto alvo e bochechas saudavelmente coradas, carregando muitos livros em seu colo. Mais uma espiada na moça e vejo que ela carrega livros de Direito Penal. Livros que eu também carreguei um dia com o mesmo cuidado que a jovem estudante, como se daqueles livros fossem surgir uma vocação para a defesa dos direitos fundamentais a qualquer ser humano. A tal jovem começa a folhear um dos exemplares em seu colo. Talvez estivesse passando por sua cabeça que ela se formaria e seria uma operadora do Direito em prol da Justiça. Eu já tive esta ilusão. Torci para que à tal moça, minha ilusão tornasse realidade.
 
- V -
 
Avenida Paulista, o sol acanhado ensaia um pouco de calor na tarde seca e fria. Nas largas calçadas da avenida, camelôs vendem bichos de pelúcia, passes, chocolates, perfumes importados, gorros, luvas, bijuterias. É difícil andar em meio à multidão, driblando as bancas dos ambulantes e os buracos na calçada.
 
Uma mulher, aparentando uns cinquenta anos, está parada em frente ao BankBoston. Seguranças a observam de longe. A mulher está rodeada de sacolas e trouxas sujas. Ela está suja. Grita palavrões a esmo, agacha-se com a cabeça entre os joelhos, levanta-se e berra impropérios em direção ao céu. Seu rosto todo encrespado denuncia a solidão dos loucos.
 
Entro no prédio onde eu trabalho, guardando os retratos da tarde de uma sexta-feira.
 
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n a v e g a r   i m p r e c i s o
 
scream & yell
Este é, sem dúvida nenhuma, o mais bacana de todos os webzines. Porque é feito por gente como Marcelo Costa, que respira música, se vê em filmes, ama literatura.
 
contatos imediatos de diversos graus
Em 1957 um lavrador de Minas Gerais foi abduzido para manter relações sexuais com uma alienígena. Inclui sensacional desenho da alienígena baseado nas descrições desse sem-vergonha.
 
código de barras
O novo endereço da página de contos e crônicas de João Verde, nosso amigo d'além-mar, correspondente do Spam Zine em Lisboa.
 
telejogo, atari, odyssey, game boy...
A história dos videogames em 40 capítulos. Recomendado para quem quebrava joysticks com o Decathlon e varava noites jogando Enduro, River Raid, Come-Come, Super Mario Bros, Mortal Kombat...
   
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como ser medíocre
breno pessoa  [email protected]
 
No começo, a maioria das pessoas não passa de um grupo de desavisados. A sua leve ignorância, o faz achar que é capaz de criar, pensar e executar algo genial. Mas aí, quando as pesquisas vão se agravando e as descobertas seguem aparecendo, você descobre que alguém já fez algo muito melhor, muito superior à sua obra-prima. E você constata: você é medíocre. Só que ser medíocre não é algo assim tão agradável, de primeira. Então você passa horas, dias, anos, tentando se convencer que não é assim tão medíocre, que as coisas produzidas pela sua pessoa, tem sim algum valor. E é aí que a sua mediocridade vai assumindo proporções cada vez maiores. As pessoas passam a perceber a sua mediocridade gritante e até comentam como você é medíocre. Isso vai virando notícia, notícia, até que a sua mediocridade chega à mídia. Mas isso, apenas se você for bem medíocre mesmo. Não satisfeito, você insiste e segue criando suas  pequenas colaborações com o mundo, na tentativa de diminuir a sua mediocridade em pelo menos alguns pontos. E é nessa altura que você descobre que não tem mais volta. A sua mediocridade já se incorporou a você de tal maneira, que você já não sabe mais ser de outro jeito. Pior, a sua mediocridade passa a ser a sua marca registrada, o que lhe faz conhecido. Tão conhecido que em breve as pessoas vão dizer que você é a pessoa mais medíocre que elas já conheceram na vida. E você vai ganhar prêmios, elogios, homenagens, tudo por causa da sua mediocridade. Você vai até cair na besteira de se achar importante e vai ficar convencido. Totalmente convencido de que a sua mediocridade é mesmo algo espetacular. E você vai dar entrevistas, vai ser convidado para transmitir a sua mediocridade em palestras e seminários, vai ser considerado um dos maiores medíocres no que faz, um especialista na sua mediocridade. Mas é quando o tempo passar muito, muito, muito e você já estiver mais distante da sua mediocridade, sem exercê-la todos os dias, que você vai perceber o quanto foi importante ser e sentir-se medíocre. Do contrário, você teria sido apenas bom.
     
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poeta interino
lau siqueira  [email protected]
 
todo dia substituo um
cidadão de jeans   san
dálias e cabelos gris
por um martelo e prego
sílabas no
branco da folha branca
 
cada         pan         cada
    uma plêiade de me
           mória e lixo
 
todo dia
revelo o bêbado ocioso
que nada
                 nada
                           nada
e sempre é um rosto e
um nome ensacado em
                      minha pele
    
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um leito inesquecível
mauro k. t. tojo  [email protected]

(uma cena marcante de quando eu era estudante de Medicina)
 
Eu estava na época lendo o House of God, de Samuel Shem, um romance sobre o internato na faculdade de Medicina. A vivacidade com que o autor descreve o sofrimento dos pacientes, dos internos e dos médicos é impressionante, e me fez lembrar de uma cena que nunca saiu da minha cabeça, que presenciei cerca de dois anos após ler o livro citado.
 
Algum dia de março de 2001, 3:30 AM, UTI do Hospital
 
Eu estava com um residente batendo papo na UTI de plantão, quando ele recebe um chamado porque um paciente da Cirurgia Vascular está sentindo muita dor e precisa de medicação. Resolvo acompanhá-lo.

Ao chegar lá, a seguinte cena: um quarto de hospital, com 4 leitos, porém apenas um ocupado, com fraca iluminação amarelada. No leito, um homem de 35 anos que aparentava ter mais de 50, com a pele enrugada, cabelos ralos e amarelados, magérrimo, com feridas ulceradas de 5 cm de raio abertas e vermelhas, algumas escurecidas, espalhadas por seu corpo todo, que exalavam um péssimo odor, e manchas roxas (varizes) abundantes em ambas as pernas. O homem tinha olhos azuis, os mais claros que já vi, esbugalhados, redondos e grandes, que o deixavam com certa cara de maluco. Ele não tinha o pé direito, nem três dedos do esquerdo, e apenas dois dedos em cada mão, todos amputados por problemas vasculares. Ao seu lado, uma senhora de aproximadamente 70 anos, de cabelos brancos, em pé, acariciando sua cabeça carinhosamente e com um olhar terno, uma dessas velhinhas bonitas que você gostaria de ter como avó, usando uma camisola rosa de seda e chinelos de tecido florido. O paciente, com o olhar fixo pra cima, de boca aberta e babando, diz, com uma voz rouca e quase morta: 'Mãããããe tá doeeeeeeeeendo! Mãããããe cadê o doutor?' E a mãe responde em tom paciente e consolador: 'Calma filho, eles chegaram'. A mãe então se vira pra mim e diz: 'Doutor, por favor, cuide do meu menino'. O paciente, agitado, virando a cabeça de um lado para o outro, com o olhar ainda fixo para onde ele virava, diz: 'Mãããããe eu quero remééééédio'. O residente traz o remédio. Eu o injeto intravenosamente. E nós dois vamos embora.
 
A carga emocional que eu senti naquele quarto quase me nocauteou. Uma mãe, doce e terna, tratando carinhosamente do 'seu menino', um homem que envelheceu quinze anos a mais, com problemas vasculares e um derrame cerebral devido ao cigarro, passando a noite ao seu lado. Acariciando seu rosto velho e doente, seus cabelos quase não existentes, amarelados e sem vitalidade, com olhos fixos, que parecia não entender praticamente nada do que ocorria à sua volta, às três da manhã, em um quarto grande, vazio e pouquíssimo iluminado. Uma mulher que ainda tinha forças para ser carinhosa, que ainda conseguia olhar para o filho com todo o amor maternal que alguém pode ter.
 
Há centenas de histórias tristes acontecendo dentro de um hospital ao mesmo tempo, todos os dias.
    
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f a l a   q u e   e u   t e   e s c u t o
Oi, eu não estou. Dã... Deixe seu recado em [email protected] logo após o sinal, que eu retornarei assim que puder. (...) Bip!
 
----- Original Message -----
From: Bárbara Castelo Branco Monte
To: [email protected]
Subject: Assinatura

"Vocês já tiveram a oportunidade de ver o tamanho de uma peixeira do Ceará? Talvez não, principalmente uma enferrujada propositalmente para não ter chance nenhuma de sobreviver! Bem, sou leitora de vocês fazem pelo menos dois anos e acho que esta é a terceira vez que peço, suplico a assinatura do Spam! Usei da minha cordialidade e ternura mas não deu muitos resultados, então pensei em ser mais firme e divulgar a cultura do meu estado, indo até Sampa e mostrando pessoalmente esta peixeirinha para vocês, caso eu não receba o Spam! Sim, essa é uma atitude de uma leitora desesperada!
Como se diz por aqui, um cheiro!
Bárbara Monte (Babi)"
  
inagaki responde: Babi, o problema é que o Spam Zine passou algum tempo congelado num laboratório criogênico, ao lado do Walt Disney. Desculpe pelo atraso, mas sacumé: tudo na vida é uma questão de timing (isso deve explicar o fracasso de meu relacionamento com a Ava Gardner). Em tempo, gostei muito do seu blog (http://barbaramonte.blogger.com.br). Um beijo e, ahn, com todo o respeito, um cheiro procê também!
 
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----- Original Message -----
Subject: EDIÇOES ANTERIORES

"CARAS EU QUERIA SABER DE TAVA PARA DISPONIBILIZAR AS EDIÇOES 079 ATÉ A ATUAL,ESTOU ENCARDENANDO TODAS AS EDIÇOES E SOMENTE CONSEGUI ATÉ A EDIÇAO 078, VALEU.

CARAS CONTINUEM ASSIM... OPS TAMBÉM QUERIA ASSINAR"
 
inagaki responde: Valeu pela iniciativa, Santellano. As edições anteriores a partir do número 079 finalmente estão disponíveis em http://www.spamzine.net. Qualquer coisa, escreva aí. A gente demoooooora, mas responde. Forte amplexo!
 
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----- Original Message -----
From: "Mauricio S"
Subject: virundum

"por acaso acessei a spamzine e lendo alguns 'virunduns' lembrei das minhas férias em Porto Seguro, onde fui atrás do trio elétrico cantando: 'lulu santos, salvador, lulu santos, salvador: paquerei, paquerou'. Tá certo que houve um excesso de capeta, mas não dá nem pra querer justificar um virundum desse..."
 
inagaki responde: valeu pela contribuição, Mauricio! Só que o SZ não publica mais virunduns. Visite http://virunduns.blogger.com.br, que lá você encontrará exemplos muito mais vexatórios, como a de um outro folião que naquela música das Meninas trocava "analisando essa cadeia hereditária" por "Ana Lizandra essa cadeia hereditária". Ou a de uma mocinha que cantava "Só Love" da dupla Claudinho & Buchecha como "salame, salame". E sem um álibi alcoólico como o seu. Aquele abraço!
  
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