Entre o moderno e o eterno

Por Alexandre Inagakiquinta-feira, 24 de agosto de 2006

Entre o moderno e o eterno

Em seu famoso ensaio sobre a Modernidade, Baudelaire a definiu como sendo o transitório, o efêmero, todos os elementos que sejam condicionados pela época, pela moda, pelas paixões. Mas, para além da volatilidade que lhe é inerente, há também na Modernidade o fascínio fugidio das metamorfoses, dessa tensão constante entre tradição e mudança. O papel do artista estaria, pois, em extrair a beleza misteriosa da fugacidade moderna, a fim de destilar-lhe o que há de eterno.

Ok, mas o que é que as mulheres têm a ver com isso?

Vivemos uma era caótica. O walkman de ontem é o iPod de hoje, que amanhã já estará obsoleto. Pertencemos a gerações precocemente nostálgicas, que têm saudades da Turma do Balão Mágico, TV Pirata e a zebrinha do Fantástico simplesmente porque mal tiveram tempo de assimilar uma época que parece ter terminado precocemente, soterrada em meio a mudanças cada vez mais repentinas. Mas quem está na casa dos trinta anos até que teve sorte. Fico pensando nessa molecada que mal saiu das fraldas e já é condicionada a ter aulas de inglês, informática, japonês, natação e o que mais couber em suas agendas, a fim de se preparar para enfrentar os desafios profissionais nestes fucking times de downsizings e empowerments.

E se essa criança for do sexo feminino, sai de baixo. Haja 24 horas para a mulher que deseja construir uma carreira profissional, ter e criar filhos, controlar o próprio peso, encontrar um cara legal ou, na ausência dele, aprender a trocar pneus, ao mesmo tempo que lava pratos, retoca a maquiagem, cursa uma faculdade e curte a vida por aí. Sexo frágil é o escambau!

É bóbvio que nem todas as mulheres enquadram-se no perfil rascunhadamente traçado no parágrafo acima, vide as neoamélias, popozudas, marias-gasolina, mocinhas com a Síndrome de Cinderela que ainda sonham com o seu príncipe encantado (aquele mesmo que vira sapo logo após gozar) e executivas workaholics que acham que homens são todos iguais e não hesitariam em trocá-los por vibradores que também abram vidros de palmito.

Mas tergiverso, tergiverso. E eu, que sou apenas um rapaz latino-americano, percebo que é impossível definir todas as inquietações, idiossincrasias, trejeitos, nuances e sentimentos presentes no olhar feminino. Porque, diante do sorriso de uma mulher, sou subitamente remetido aos tempos em que eu era um garoto bobão repleto de espinhas e dúvidas existenciais por todos os lados (não que eu tenha melhorado muito desde então; tornei-me apenas um bobão mais experiente). Percebo, então, que neste curso inexorável da vida em que tudo fenece e morre, a eternidade está contida no tempestuoso céu dos olhos de uma mulher que talvez nunca mais reveja, descrita por Baudelaire como “efêmera beldade cujo olhar me fez nascer segunda vez“. Mas como haverei de reencontrá-la, se a perdi em meio ao tumultuado turbilhão das multidões da modernidade?

E cá estamos. Entre o moderno e o eterno, vejo homens e mulheres perambulando por aí, confusos nesta era pós-utopias, de ideologias incertas e instituições fragilizadas. E eu, que facilmente me perco em ruas, corredores, pensamentos e tergiversações, encerro esta discussão divagando sobre Orkut, aparelhos de GPS e outras facilidades pós-modernas que nos permitem vagar menos perdidos por este mundo e reencontrar velhos amigos. Chegará o dia em que os avanços tecnológicos, tão incensados pelos poetas da modernidade, enfim desatarão o nó dos labirintos que separam casais extraviados pelo alarido frenético das ruas?

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P.S. 1: Este é um texto que escrevi originalmente para publicação no Kit Básico da Mulher Moderna, blog da minha amiga Renata Maneschy. A bela ilustração é de Guga Schultze.

P.S. 2: O poema de Baudelaire que cito en passant é “A Uma Passante”. Três diferentes versões deste soneto para o português estão disponíveis neste texto de Maria Amelia Ferreira sobre traduções.

P.S. 3: Convite aos meus leitores goianienses: participar do lançamento de Partitura, primeiro livro solo de meu camarada AL-Chaer, poeta, engenheiro civil, professor universitário, colaborador do Spam Zine e pai da Laura (não necessariamente nesta ordem). Partitura será lançado nesta quinta-feira, dia 31, a partir das 20h, no Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro (Rua 3, esquina com 9, Centro).

P.S. 4: Acabei de saber da incrível história de plágio envolvendo o blog Querido Leitor, da Rosana Hermann, e um certo colunista chamado Miltinho Cunha, que escreve no jornal O Estado, de Florianópolis. Pois bem: este “jornalista” surrupia há mais de um ano excertos de posts publicados pela Rosana, plagiando-os na maior desfaçatez. Saiba mais sobre este estarrecedor caso de copy-and-paste nas matérias do Comunique-se e Blue Bus, e leia a crônica “Plágio: o que será que será?”, que Rosana Hermann escreveu sobre o assunto, no Blônicas.

Uma tira e cinco post-scriptuns

Por Alexandre Inagakiterça-feira, 22 de agosto de 2006

Que venga la idea

P.S. 1: A tira acima é do argentino Ricardo Siri, que usa o pseudônimo Liniers para publicar seus trabalhos em veículos como o jornal La Nación. Ele ainda será assunto de um post mais detalhado, a ser escrito quando eu estiver menos enrolado com alguns trabalhos.

P.S. 2: Laura, do blog Caminhar, está organizando uma blogagem coletiva sobre o tema “violência urbana”, a ser realizada nesta terça-feira, dia 22. Todos estão convidados a participar desta iniciativa, seja blogando, comentando ou lendo os posts dos participantes, devidamente relacionados neste link.

P.S. 3: Lamento por quem perdeu o bate-papo sobre blogs e literatura, promovida pela Primavera dos Livros no último sábado aqui em Sampa City. Melhor do que ela, só mesmo a oportunidade de conhecer e/ou reencontrar leitores e colegas, principalmente pela troca de idéias realizada no ambiente mais propício para uma boa prosa descompromissada: ao redor de uma mesa de bar. À guisa de consolo, recomendo os relatos (mais ou menos verídicos) feitos por Lucia Carvalho, Gustavo Jreige, Julio Cesar Corrêa, Idelber Avelar e Luiz Biajoni, além dos comentários feitos por quem estrelou a mesa de debates: Índigo, Ivana Arruda Leite e Rosana Hermann.

P.S. 4: E por falar em mesas de conversa, soube por intermédio da Lucia Malla do surgimento de uma ótima iniciativa na blogosfera lusófona: Roda de Ciência, um ponto de encontro de cientistas, pesquisadores, jornalistas e interessados na área.

P.S. 5:Quando sinto que vou vomitar um coelhinho, ponho dois dedos na boca como uma pinça aberta, e espero sentir na garganta a penugem morna que sobe como uma efervescência de sal de frutas“. (Julio Cortázar)

MTV pra quê?

Por Alexandre Inagakisexta-feira, 18 de agosto de 2006


Nina Simone, My Baby Just Cares For Me – Os estúdios Aardman, mesmos responsáveis por Fuga das Galinhas e os filmes de Wallace & Gromit, também produziram esta animação em stop motion desta canção originalmente composta para um musical hollywoodiano dos anos 30. Nina regravou My Baby Just Cares For Me em um álbum de 1957, mas sua versão tornou-se sucesso pop mesmo em 1987, quando foi utilizada como trilha sonora de um comercial do perfume Chanel No 5, tornando-se o passaporte para que novas gerações conhecessem a arte desta diva cuja voz é um ombro para aninhar corações desabalados.

Nick Drake, River Man – Em 1969 Drake, aos 21 anos de idade, lançou seu primeiro álbum: Five Leaves Left. O disco reúne dez canções que soam etéreas, eternas. Dentre elas, há “River Man”: alguns acordes dedilhados no violão, o belo arranjo de cordas de Harry Robinson e a voz suave de Drake. Por uma dessas injustiças que acontecem constantemente, o álbum não chegou a vender sequer 5 mil cópias. É dolorido saber que Nick Drake morreu de uma overdose do antidepressivo Tryptizol aos 26 anos, com apenas três álbuns gravados, sem ter recebido o merecido reconhecimento por suas gravações. A propósito: não existem registros em filme de Drake, apenas fotografias.

Leonard Cohen, Suzanne – Suzanne era uma mulher casada com um amigo de Cohen. Em uma tarde, Cohen encontrou-se com Suzanne em seu estúdio, e ela lhe serviu um chá com rodelas de laranja. Desse encontro e dessa atração que restringiu-se à esfera platônica (“And you know that she will trust you/ For you’ve touched her perfect body with your mind“) surgiu aquele que viria a se tornar o primeiro dentre tantos clássicos interpretados por este escritor, poeta e cantor canadense. O clipe integra um vídeo de 24 minutos intitulado I Am a Hotel, que Cohen criou junto com Mark Shekter, reunindo quatro outras canções deste músico de voz melancólica e gutural

Marvin Gaye & Tammi Terrell, Ain’t No Mountain High Enough – É uma pena que a carreira desta que foi a mais mesmerizante dupla do soul tenha durado tão pouco. Durante um show da turnê do primeiro álbum da dupla Gaye & Terrell (United, de 1967), ela desmaiou nos braços de Gaye. Causa: tumor no cérebro. Ela jamais recuperaria plenamente a saúde, assim como nunca mais se apresentou ao vivo depois desse incidente. Especula-se que a doença que vitimaria Tammi tenha sido causada pelos sopapos que levou de James Brown (de quem foi backing vocal), David Ruffin dos Temptations (de quem também apanhou) e o boxeador Ernie Terrell (seu ex-marido). Tammi passou por oito cirurgias de cérebro antes de falecer em 16 de março de 1970, aos 24 anos. A morte de sua parceira fez com que Marvin mergulhasse em uma profunda crise depressiva, ficando afastando dos estúdios por mais de um ano. Seu catártico retorno à música viria com a gravação de sua obra-prima: o álbum What’s Going On de 1971.

Nancy Sinatra, These Boots Are Made for Walking – Este vídeo de atmosfera swinging London é um deleite para fetichistas. Pudera: o que dizer deste protoclipe que apresenta várias mulheres exibindo suas longas pernas, trajando apenas sueters, meias-calças e botas? These Boots Are Made for Walking, maior sucesso da carreira de Nancy, filha de Frank Sinatra, foi originalmente gravado em 1966. Uma adaptação de sua letra viria a se tornar trilha sonora das tropas norte-americanas na Guerra do Vietnã, que a cantavam enquanto marchavam. Nancy, que posou para a Playboy em 1995 (aos 54 anos de idade), mantém até hoje sua carreira musical, lançando singles de sucesso como “Shot You Down” (com o grupo eletrônico Audio Bullys) e “Let Me Kiss You” (composta por seu fã Morrissey).

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P.S. 1: Mais vídeos da série “MTV pra quê?” estão disponíveis em minha página no Multiply.
P.S. 2: Eis a minha nova colaboração para o Cracatoa Simplesmente Sumiu: Vidas Possíveis, texto com ilustração de Guga Schultze.

Dois convites

Por Alexandre Inagakiterça-feira, 15 de agosto de 2006

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Nesta quarta-feira, dia 16 de agosto, Ana Maria Gonçalves autografa Um Defeito de Cor a partir das 18:30 na Livraria da Vila. Com a palavra, Millôr Fernandes ao recomendar a leitura do livro de Ana Maria: “Desmintam-me, por favor. É um dos livros mais importantes, coloco entre os melhores que li em nossa bela língua eslava. Entre os 100 melhores, Millôr? Que exagero é esse, rapaz?, entre os 10. TE CUIDA, SARAMAGO!“.

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Sábado, dia 19, a Primavera dos Livros de São Paulo promoverá uma mesa de debates intitulada “Blog e Literatura, Blog é Literatura?”. Com moderação de Marcelo Duarte, o debate contará com as participações de Ivana Arruda Leite, Índigo, Rosana Hermann e Bruna Surfistinha. O local: Centro Cultural São Paulo, a partir das 17 horas. Dica extra: conferir o stand da Editora Barracuda e adquirir os excelentes livros de seu catálogo com descontos de até 40%!

Ema, ema, ema

Por Alexandre Inagakiterça-feira, 15 de agosto de 2006

Anomia é um conceito sociológico utilizado para descrever um estado de coisas no qual o comportamento dos membros de uma sociedade deixa de ser pautado pelas normas sociais. Ou seja: as pessoas deixam de ligar para as possíveis punições decorrentes da infração das leis simplesmente porque já não crêem, ou já nem ligam, para o fato de estarem quebrando as regras do contrato social.

Que outra palavra, pois, pode ser utilizada para descrever com maior propriedade fatos como o recente incidente envolvendo Guilherme Portonova? Vejam só: o PCC ordenou o seqüestro de um jornalista da Globo com o intuito de defender seus interesses. A emissora, por sua vez, viu-se na situação de atender às exigências de um grupo criminoso a fim de tentar salvar a vida de seu funcionário. E as autoridades, onde estavam nessa história toda? Enquanto PCC e Rede Globo negociaram diretamente a exibição de um manifesto na TV produzido por um grupo composto por assaltantes, homicidas e traficantes, onde estava o Governo para garantir a lei e a punição aos responsáveis por essa ação? Caso a Globo não tivesse cedido espaço em sua programação para dar voz aos bandidos, que garantia as autoridades poderiam dar sobre a vida de Guilherme Portonova?

Ema, ema, ema, cada um com seus pobrema“. Metroviários entram em greve, grupos de sem-terra invadem o Congresso Nacional, criminosos ganham espaço na maior emissora nacional porque as autoridades legitimamente constituídas são incapazes de prover segurança à sociedade que os elegeu. Enquanto o governo federal e o governo estadual discutem para saber a quem pertence a maior parcela de culpa pelos acontecimentos recentes, vivemos dias nos quais jornalistas serão obrigados a esconder suas identidades, sob pena de correrem os mesmos riscos que policiais e agentes penitenciários amargaram durante os primeiros ataques generalizados do PCC. Até porque o perigosíssimo precedente já foi criado: quem impedirá o seqüestro de um repórter caso alguma organização criminosa deseje divulgar algum vídeo em rede nacional? Medellín é aqui.

É terrível constatar que, a grosso modo, a recente ação do PCC nada mais foi do que um ato visando a defesa dos seus, hmm, direitos. Porque o fato é que o PCC acabou por se tornar uma espécie de sindicato congregando membros marginalizados da sociedade que, unidos, ganharam mais forças para cobrar o que eles acham que merecem receber. Diante da inapetência e da debilidade do Estado, como impedir que esta união de criminosos recorra a qualquer ato que julgar eficaz para lutar por suas causas (seja ele o assassinato de inocentes, o ataque a ônibus ou bancos, o seqüestro de jornalistas ou qualquer ação que tenha impacto midiático)?

Estes são tempos de barafunda generalizada, nos quais cada segmento da sociedade briga por seus próprios interesses corporativos, deixando de ligar para as conseqüências causadas pelo restante da população. Mas enfim, o que uma sociedade repleta de cidadãos que querem levar vantagem em tudo, jogam lixo nas ruas, sonegam impostos e preferem anular seus votos e omitirem-se da tarefa de pesquisar cuidadosamente seus candidatos e elegerem candidatos decentes (escorados na generalização imbecilizante de que “nenhum político presta”) pode exigir?

Estes são tempos de “ema, ema, ema”. Não é de se admirar, pois, o fato de que estamos todos cada vez mais idos, idos, idos.

Geração Alt + Tab

Por Alexandre Inagakisexta-feira, 11 de agosto de 2006

Eu, que possuo a mania de navegar pela Web abrindo diversas janelas e abas simultaneamente, encontrei na expressão “Geração Alt + Tab”, cunhada pelo professor da UFBA Nelson Pretto, a melhor definição para pessoas que encontraram na cultura digital o ambiente propício para saciar a sede por informações (que abrangem um leque que vai desde o download de músicas raras de Nelson Cavaquinho até a busca pelo histórico dos candidatos em que votei nas últimas eleições), processando múltiplas coisas ao mesmo tempo, em uma alusão ao hábito difundido por pessoas que usam as teclas Alt e Tab para navegarem pelas inúmeras janelas abertas de seus computadores.

Ao ler a interessantíssima entrevista que Pretto concedeu a Lia Ribeiro Dias para a revista eletrônica A Rede, lembrei de uma matéria de capa que a revista Time publicou em março deste ano, sobre o que eles denominaram de “Multitasking Generation”. O mote da reportagem é um estudo que vem sendo feito há quatro anos por antropólogos da Universidade da Califórnia com 32 famílias de Los Angeles, sobre o impacto que as novas tecnologias vem causando na sociedade. A matéria cita em específico o caso da família Cox e de seus dois filhos, os gêmeos Piers e Bronte, ambos com 14 anos de idade.

Multitasking Generation.Piers termina sua lição de Inglês no Word, ao mesmo tempo que busca no Google Images fotos de Keira Knightley, ouve no ITunes músicas do Queen e AC/DC e mantém diversos papos simultaneamente em seu Messenger com amigos que fez no MySpace. Enquanto isso sua irmã gêmea Bronte, que possui hábitos similares, explica seu modo “multitarefa” de ser: “Meus pais sempre me dizem que eu não posso fazer minha lição de casa enquanto ouço música, mas o que eles não compreendem é que ela ajuda a me concentrar“. Eu, que sempre escrevo ouvindo arquivos mp3 randomicamente no Winamp, poderia ter proferido essa declaração, embora faça a ressalva de que nem sempre música é sinônimo de concentração (que o digam minhas sessões de air drum ao som de Nirvana e Teenage Fanclub).

O fato é que desde criança nutro o hábito de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Faço minhas refeições enquanto assisto TV, folheio o jornal com o Ipod ligado, mando um SMS em meio à elaboração deste post, leio diversos livros simultaneamente. E o fato é que nessa fome de abarcar diversas tarefas ao mesmo tempo, reconheço que nem sempre meu desempenho é o ideal. Tenho a consciência de que se me dedicasse a uma coisa de cada vez provavelmente administraria melhor meu tempo pessoal, terminando os textos que redijo com maior rapidez, mastigando em vez de simplesmente engolir minhas refeições, finalizando os muitos romances que deixei inacabados, olhando com desamparo a Torre de Pisa formada pelos e-mails acumulados para responder.

Eu, que certamente desenvolvi um quê de DDA ao longo dos anos, preciso aprender a driblar as armadilhas fragmentadas da pós-modernidade. Retomo um texto antigo para reiterar o que penso sobre o assunto: que cada um reserve uma porção generosa do dia para dar a si mesmo tempo para contemplar a lua, o sol, as estrelas, o mar, os sorrisos extraviados na multidão que se atropela a si mesma na digestão precoce do cotidiano.

* * * * *

P.S. 1: Dois, da Legião Urbana, foi lançado há vinte anos. Como parte do especial promovido pelo Digestivo Cultural, escrevi o artigo “Entre o tempo que passou e todo o tempo do mundo“.

P.S. 2: Marcelo Costa, que edita o excelente site de cultura pop Scream & Yell, acaba de estrear sua coluna semanal no portal iG. Recomendo fortemente, pois, uma visita a Revoluttion, sua nova empreitada virtual. Em sua coluna de estréia, uma pergunta: qual o seu disco preferido dos Beatles? Titubeio em escolher entre Revolver e Sgt. Pepper.

P.S. 3: Blogueiro, esteja em dia com seus deveres cívicos. Aliste-se na Blogosfera, lista de discussões recentemente criada por Fabio Seixas, e não deixe de inscrever sua página no Blogblogs, excelente diretório brasileiro.

P.S. 4: Você perdeu a série de entrevistas que o Jornal Nacional fez com os principais candidatos à Presidência? Pois bem, graças ao YouTube e ao blog Tevê Aberta, você pode conferir com um mero clique as sabatinas que William Bonner e Fátima Bernardes fizeram com Cristovam Buarque, Geraldo Alckmin, Lula e Heloísa Helena.

P.S. 5: Trilha sonora deste post: “Nada Tanto Assim“, Kid Abelha (dos versos “Eu sei de quase tudo um pouco/ E quase tudo mal/ Eu tenho pressa/ E tanta coisa me interessa/ Mas nada tanto assim“).

Dez aberturas marcantes de novelas

Por Alexandre Inagakidomingo, 06 de agosto de 2006

Brilhante – Sua bela abertura exibe uma modelo e um gato sendo refletidos ad infinitum por um cenário de espelhos. Contudo, inesquecível mesmo é o seu tema musical, feito por encomenda por ninguém menos que Antônio Carlos Jobim: “Luiza”, canção cujo título ganhou o mesmo nome da personagem principal da novela, interpretada por Vera Fischer. Eu, que na época ainda conhecia pouco de bossa nova, tomei conhecimento da obra de mestre Tom graças a esta novela de Gilberto Braga, exibida de setembro de 81 a março de 82. Mas confesso que “Luiza” ainda é a minha música predileta do maestro, com sua precisa combinação entre letra e melodia. Continue Lendo

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Pense Nisso! Alexandre Inagaki

Alexandre Inagaki é jornalista e consultor de comunicação em mídias digitais. É japaraguaio, cínico cênico. torcedor do Guarani Futebol Clube e futuro fundador do Clube dos Procrastinadores Anônimos. Já plantou semente de feijão em algodão, criou um tamagotchi (que acabou morrendo de fome) e mantém este blog. Luta para ser considerado mais do que um rosto bonitinho e não leva a sério pessoas que falam de si mesmas na terceira pessoa.

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