A vida era mais difícil quando ainda não havia internet para resgatar as coisas que a gente quase não lembrava mais que tinham existido. Por exemplo, o jingle das balas de leite Kid’s, que embalou minha infância numa época em que controle remoto de TV era o dedão esticado do meu pé mudando os botões dos canais. Passei anos sem ouvir o arranjo original daquela canção, embora nunca tenha me esquecido dos seus versos:
Roda, roda, roda baleiro, atenção
Quando o baleiro parar põe a mão
Pegue a bala mais gostosa do planeta
Não deixe que a sorte se intrometa
Bala de leite Kids
A melhor bala que há
Bala de leite Kids
Quando o baleiro parar…
Em entrevista concedida a Leoni, em 1995, para o livro Letra, Música e Outras Conversas (que está fora de catálogo, mas deve ganhar segunda edição em breve), Renato Russo explicou como surgiu a música que acabou se transformando no filme que entrou em cartaz recentemente, protagonizado por Fabrício Boliveira e Ísis Valverde. E revelou também que nutria o sonho de que aquela canção épica, com 9 minutos e 10 segundos de duração, um dia fosse transformada em filme.
Renato: ‘Faroeste Caboclo’ escrevi em duas tardes sem mudar uma vírgula. Foi: ‘Não tinha medo o tal João de Santo Cristo…’ e foi embora.
Leoni: Você não imaginou os personagens antes?
Renato: Não. Eram coisas que mesmo sem querer, sem perceber, já vinha trabalhando há muito tempo e na hora que vai escrever vêm direto. Eu sei porque foi fácil. Ela tem um ritmo muito fácil na língua portuguesa. É em cima da divisão do improviso do repente.
Leoni: O enredo também foi improvisado? Você saiu escrevendo e as ideias foram vindo? Continue Lendo
Cinema e música, taí uma combinação mágica. Quando fui convidado pelo Bruno Capelas para participar de uma eleição sobre os melhores momentos musicais da sétima arte, me diverti muito pensando em quais são as minhas cenas favoritas. É lógico que esqueci de muita coisa boa, e o resultado final, com as 25 melhores sequências musicais escolhidas por 43 pessoas, ficou bem bacana e acabou por resgatar algumas cenas ótimas que me haviam escapulido da memória. De qualquer modo, creio que vale a pena postar aqui quais foram os cinco momentos cinematográficos um tanto quanto inusitados nos quais votei. :)
No dia 13 de janeiro de 2001 eu estava no Rio de Janeiro, com o objetivo específico de ver ao vivo, pela primeira vez, um show do R.E.M. As expectativas eram altas, mas foram plenamente cumpridas: Michael Stipe e sua trupe fizeram um dos melhores shows que vi em toda a minha vida (este texto de Marcelo Costa, um dos mais de 170 mil espectadores daquela noite no Rock in Rio III, é um belo relato). Porém, apesar da noite apoteótica, saí de lá com um arrependimento: não ter assistido ao show que Cássia Eller havia feito horas antes. O motivo: eu e meus acompanhantes (Suzi, Ian e meu irmão Ronaldo) decidimos curtir um pouco a praia antes de nos deslocarmos até a Cidade do Rock, e só chegamos a tempo de conferir os shows de Beck, Foo Fighters e R.E.M.
Cássia tinha sido a primeira artista a se apresentar naquele dia, que também teve shows de Fernanda Abreu e Barão Vermelho. Apesar de ter feito a abertura, senti que ela havia feito uma apresentação antológica, só de ouvir os burburinhos da galera que ainda comentava a versão que ela tinha cantado de “Smells Like Teen Spirit”, assim como o momento em que ela levantou a blusa e exibiu seus seios para as milhares de pessoas na plateia daquela edição do Rock in Rio. Uma pena ter perdido aquele show, pensamos, mas não era algo irremediável. Afinal de contas, Cássia Eller estava no auge do sucesso e teríamos muitas oportunidades de assisti-la ao vivo. E, de fato, entre maio e dezembro de 2001, Cássia Eller embarcou numa rotina insana, chegando à marca impressionante de 95 shows, capitalizando o merecidíssimo sucesso do Acústico MTV, lançado em março daquele ano. Continue Lendo
Gonzaga – de Pai para Filho, filme lançado no ano em que Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, faria 100 anos de idade, traz as marcas registradas de seu diretor, Breno Silveira, um cineasta que domina como poucos a arte de emocionar plateias. Mas eu, que já escrevi neste blog sobre os dois longas anteriores dele, 2 Filhos de Francisco e Era Uma Vez, devo confessar que o que mais me marcou, na sessão em que vi o filme, foi uma cena que testemunhei quando já tinha aproveitado os créditos finais para enxugar as lágrimas, e me dirigia à saída. Continue Lendo
Você pode falar de desilusões amorosas, corações partidos e a solidão oriunda dos desencontros da paixão com versos embebidos em tristeza e saudade. Mas, se essas músicas dociamargas são cantadas com o ritmo malemolente de um pagode, no mínimo consolam o corpo. Que, ao fim, acaba por se deixar levar por meio de requebradinhas e batucadas, acompanhando a ginga e o balanço atemporais do samba. Continue Lendo
Saiu enfim o line-up oficial da próxima edição do Lollapalloza Brasil, que será realizado nos dias 29, 30 e 31 de Março de 2013, no Jockey Club de São Paulo. Os headliners serão The Black Keys, Pearl Jam, The Killers, Deadmaus, Planet Hemp e Queens of The Stone Age.
Outros destaques: Franz Ferdinand, Two Door Cinema Club, The Hives, Flaming Lips, Of Monsters and Men, Passion Pit, Toro y Moi e Cake. Nos shows nacionais, teremos nomes como Criolo, Gui Boratto, Vanguart, Vivendo do Ócio, Stop Play Moon, Lirinha e Eddie, Agridoce e Copacabana Club. Preparem-se: o LollaPass, que dá direito aos três dias de shows, custará R$ 900,00. A programação completa está disponível em http://lineup.lollapaloozabr.com/, e o anúncio das bandas que tocarão em cada um dos dias será realizado no dia 15 de outubro. Continue Lendo
Alexandre Inagaki é jornalista e consultor de comunicação em mídias digitais. É japaraguaio, cínico cênico. torcedor do Guarani Futebol Clube e futuro fundador do Clube dos Procrastinadores Anônimos. Jé plantou semente de feijão em algodão, criou um tamagotchi (que acabou morrendo de fome) e mantêm este blog. Luta para ser considerado mais do que um rosto bonitinho e não leva a sério pessoas que falam de si mesmas na terceira pessoa.