Há anos participo de eventos como a Campus Party Brasil, o youPIX Festival e o Desencontro, seja na condição de curador, palestrante ou espectador. Quando estou envolvido diretamente na organização, a sensação é de loucura. Se até para dançar créu é preciso ter disposição e habilidade, imaginem o pique que é preciso ter alguém que se envolve na logística de um evento, cuidando da programação, produção de palcos, captação de patrocínios, passagens e hospedagem de palestrantes, gerenciamento de crises que surgem de última hora e toda uma série de cuidados que envolvem todas as atividades, workshops e painéis que compõem um evento do tipo.
É cansativo, mas ao mesmo tempo é extremamente gratificante fazer parte de uma empreitada capaz de reunir centenas de pessoas debatendo ideias, trocando inspirações, encontrando-se, desencontrando-se e reencontrando-se em um mesmo local físico, em um intercâmbio doido de experiências que acaba por refletir na vida offline toda a maçaroca de sons, imagens e ideias que compõem a internet. Continue Lendo

A proliferação dos espaços onde se escreve, se lê, se fala e se ouve cultura
Somos testemunhas e protagonistas de uma era na qual todos os nossos referenciais tecnológicos e de disseminação de conhecimento são modificados em intervalos cada vez menos espaçados. Há duas décadas, tecnologia de vanguarda era sinônimo de disquetes de 3 e 1/2 polegadas e videogames de 8 bits como o Master System. Atualmente, não passam de itens empoeirados do que Cazuza descreveu, em uma música composta em 1988, como “museu de grandes novidades”. Que teve seu catálogo multiplicado, ao longo dos últimos vinte anos, por itens como laser discs, pagers e tamagotchis. Chega a soar quase inverossímil lembrar que o mercado ainda oferecia para venda computadores como o TK-85, da Microdigital, cujos programas eram gravados em fitas cassete comuns.
Há 20 anos, mal tínhamos idéia de que um dia computadores de todo o mundo estariam interligados por uma única rede (a World Wide Web, sistema de hipertexto que possibilita a troca de textos, imagens e arquivos por meio de links, grande responsável pela popularização da internet, só foi criada pelos pesquisadores Tim Berners-Lee e Robert Cailliau em 1990). Hoje, documentamos tempos nos quais não dependemos somente da mídia tradicional para sabermos das últimas novidades. Temos blogs, aplicações peer-to-peer, comunidades no Orkut, sites de compartilhamento de vídeos como Dailymotion, de veiculação de músicas como o Imeem e de conteúdo colaborativo como o Overmundo, dentre as muitas opções à disposição de qualquer internauta. É a era dos prosumers, palavra cunhada por Alvin Toffler a partir de conceitos pensados por Marshall McLuhan e Barrington Nevitt na década de 70, utilizada para descrever os consumidores que também produzem conteúdo e são early-adopters das novas tecnologias. Continue Lendo

Recebi há alguns dias um e-mail de minha amiga Andréa Augusto a respeito de um assunto desagradavelmente familiar para mim: apropriação de textos. Escreveu Andréa: “Acontece que o meu ‘about you’ do Orkut tem sido copiado a rodo e colocado em diversos profiles. Sem autoria, claro, e muitas vezes assinado pelos donos dos profiles. Uma loucura. Não tem absolutamente nada de mais no texto, que aliás escrevi ali mesmo antes de salvar. (…) É como se a pessoa fosse oca e precisasse se apropriar do conteúdo de outra, sei lá. Já tive poemas, textos e até simples comentários em livros de assinaturas copiados, roubados, essas coisas, mas um ‘about you’, pra mim, é incrível, sei lá, acho bizarro, entende?”
Que o mundo é estranho, isso é fato líquido e certo. Eu, que já cansei de encontrar textos meus surrupiados por aí, não me espanto com essas ocorrências. Se você achar, portanto, um texto iniciado com a sentença “Dual, sou assim; misturo meus anjos ao lado obscuro, vou fundo e me retraio“, saiba que ele foi redigido originalmente no perfil do Orkut de Andréa Augusto, e que esse texto foi copiado tantas vezes que ela se viu obrigada a registrá-lo na Biblioteca Nacional a fim de resguardar seus direitos como autora. Continue Lendo